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domingo, 4 de dezembro de 2011

Dr. Sócrates (1954-2011)


Por Rubão Almeida

Existem dias que começam antes da meia noite, e hoje começou ontem, quando eu ví na televisão uma notícia sobre o extremamente debilitado estado de saúde de Sócrates, o ex jogador do Corinthians. Imediatamente algo me dizia que aqueles seriam os últimos momentos do Doutor, como era conhecido pela maioria daqueles que o viram dar espetáculos, em seus jogos com a camisa do Timão e da seleção brasileira.

Acabei acordando hoje, com a notícia do falecimento do Dr. Sócrates, às 4:30 da manhã, e logo percebí que este seria um dia diferente, daqueles para entrar para a história. Tudo porque hoje era o dia em que o Corinthians iria decidir o Campeonato Brasileiro de 2011, com o rival histórico, o Palmeiras. E no caso de conquista do título, seria um dia triste, mas que ficaria marcado na história do clube, como o Dia de Sócrates, pela conquista do brasileirão.

E assim foi, o Timão chegou ao seu quinto título brasileiro, para a glória máxima de um de seus maiores ídolos, que foi como um maestro na regência de sua orquestra. O time apresentou um futebol, que está longe de ser comparável àquele em que o Dr. jogou, em sua gloriosa passagem pelo Corinthians, mas foi suficiente para garantir o empate contra o Palmeiras e conquistar o quinto brasileirão. A partir de agora, quando contarmos a história do Timão, vamos ter de falar deste dia e lembrar de um dos maiores ídolos da história do clube.

Em diversas redes sociais, pela internet, foram vistas mensagens de homenagem ao doutor, de pessoas que são torcedoras de diversos times, por onde ele jogou, ou simplesmente, de amantes do futebol arte, que assim como eu, aprendeu a admirar o futebol de toda uma geração, que se preocupava apenas em jogar o fino da arte do futebol.

Contemporâneo de gênios como Zico, Júnior, Roberto Dinamite, Éder, Casagrande, entre muitos outros, que fizeram a alegria de milhões de torcedores, que assistiam futebol entre as décadas de 70 e 80, do século XX. Sócrates fez fama ao conquistar os títulos paulistas de 1979, 1982 e 1983, pelo Corinthians, além de ter participado das Seleções que disputaram as Copas de 1982 e 1986, sob a batuta do maestro Telê Santana. Também jogou na Fiorentina, da Itália, no Flmaengo e no Santos, no final da década de 80, onde demonstrou suas jogadas de calcanhar, que se tornaram sua marca registrada, sendo autor de vários gols importantes, como os da seleção brasileira na Copa de 1982.

Sócrates deixará saudades e suas jogadas ficarão na memória de muitos corintianos, por várias gerações, que se lembrarão do dia em que o doutor foi embora, para ver o Timão campeão de um outro plano. Descanse em paz, doutor da bola e parabéns ao Corinthians, pelo seu quinto Campeonato Brasileiro!!


quarta-feira, 30 de março de 2011

Jair Bolsonaro, o deputado racista


Na última segunda-feira (28), o deputado Jair Bolsonaro (PP/RJ), participou do programa CQC, na tv Bandeirantes. Em um quadro em que o público faz perguntas para o entrevistado, o deputado soltou a sua opinião sobre assuntos como cotas raciais, e homossexualidade.

Ávido defensor da ditadura militar e fã dos generais Médici, Geisel e Figueiredo, o deputado acabou criando polêmica, ao ser perguntado pela cantora Preta Gil, o que ele faria se um filho dele se apaixonasse por uma negra. Destilando todo seu preconceito, o deputado chamou esse tipo de relação de "promiscuidade" e diz ter educado os filhos longe de "ambiente, como lamentavelmente" é o dela.

Deixo aqui, total repúdio a esse tipo de político, com a mesma mentalidade escravista, preconceituosa e imbecil, que desgraçadamente ainda tem gente que insiste em passar adiante, afinal, ele foi eleito por uma parte da população brasileira, que ainda se sente órfã de porcarias como TFP, Militarismo, Tortura, Repressão, Censura, etc. Nas próximas eleições, não esqueça o SOBRENOME desse sujeito, pois, além dele, já tem os descendentes pendurados nas tetas do governo.

Abaixo o vídeo da infeliz entrevista.

quinta-feira, 17 de fevereiro de 2011

O fim do Guitar Hero e o preço da música


Por Andreas Kisser - 11/02/11 - 18h17

Incrível acreditar que o grande fenômeno dos últimos tempos no ramo dos videogames, o Guitar Hero está saindo do mercado. Eu que acreditava que o jogo seria uma nova maneira de distribuir e armazenar música. Infelizmente não foi bem assim. A Activision, empresa que responsável pelo jogo, anunciou nesta semana o fechamento da divisão que cuidava especificamente do game musical. Pra mim, foi uma grande surpresa, pois bandas como Aerosmith e Metallica tinham acabado de lançar os seus jogos e tudo parecia ir muito bem.

O custo alto da produção, dos equipamentos necessários para se jogar, junto com a aparição de novos jogos com tecnologias diferentes, que usam sensores para captar o movimento do corpo, sem a necessidade de controles, e que causaram uma sensível queda nas vendas, foram citados como justificativas para este súbito fim. Mas o que realmente pesou foram os altos royalties que as bandas e as gravadoras pediam para o uso das músicas no jogo, ou seja, a própria música e sua ala gananciosa fundamentalista, ajudou a acabar com esta pequena revolução na indústria musical.

O Guitar Hero surgiu em 2005 e logo virou uma febre no mundo dos games, não imporatava a idade, todo mundo estava jogando. Verdadeiros virtuoses surgiram no “instrumento”, campeonatos aconteciam pelo mundo e novos “artistas” foram descobertos. A sensação de se sentir um rock star, tocando as guitarras no último volume é irresistível, principalmente para os que não são músicos e nunca chegaram perto de um palco. O GH é realmente uma experiência em tanto. Sem falar na biblioteca musical riquíssima e que constitui numa escola musical do rock para as novas gerações. No GH é possível experimentar um cardápio vasto, de vários estilos, dentro do que é considerado rock and roll, é uma maneira não preconceituosa de se apresentar a música, uma verdadeira aula.

Qual é esse custo que, de tão elevado, pode parar um projeto tão inovador e interessante como o GH? Qual é esse valor? Hoje mesmo, eu recebi um link de uma amiga de Twitter, com uma entrevista do Francis Ford Coppola e num determinado momento ele comenta sobre este aspecto do valor da arte, o quão subjetivo pode ser este conceito. A entrevista foi dada ao site The 99 Percent e com muita experiência e desenvoltura ele fala de seus conceitos e ideias.

Sobre a remuneração de um artista ele polemiza argumentando que “somente há algumas centenas de anos é que os músicos começaram a trabalhar com dinheiro”, sinalizando que a música, ou a arte em geral, é que foi “achada” como negócio e que hoje perdeu todo o seu valor artístico, é somente um produto. Ele acrescenta ainda que artistas como o Metallica, ou qualquer outro mega rock star milionário, não serão possíveis, porque a arte caminha para um futuro onde ela será totalmente grátis. Ele sugere um emprego paralelo, que seria o ganha pão, para deixar a arte totalmente livre, sem depender dos grandes empresários para se fazer os projetos.

Eu até concordo que a ideia de lucro na arte não é uma coisa muito natural, apesar de hoje em dia ser o que move a indústria, mas acho também que o Coppola foi um pouco longe demais. Num mundo ideal, o dinheiro seria supérfulo, mas não vivemos num mundo ideal, longe disso. Quem comanda, dita as regras e a direção a ser seguida é quem tem o dinheiro, grandes empresários que, na sua maioria, não tem contato nenhum com a realidade artística e estão sempre trabalhando com segundas intenções, geralmente políticas marqueteiras.

O fim do Guitar Hero mostra que a arte está perdendo a batalha para o lucro, cada vez mais só se trabalha para conseguir dinheiro, a qualquer custo, deixando a função da música, do teatro, do cinema, da pintura ou da literatura, que é a de elevar a alma, em segundo plano. Como não perder de vez a mágica da arte sem ter que ficar mendigando na rua por um pedaço de pão? Ideologia e realidade não andam sempre juntas.

A classe artística se encontra em um período de transição e incertezas, é um processo difícil mas acredito que no final a arte vai sair fortalecida pois, acabar com ela, como fizeram com o GH, não vai ser tão simples assim.

Play it loud.

Andreas Kisser

Fonte: Yahoo!

domingo, 16 de janeiro de 2011

Polícia reprime manifestação contra aumento da tarifa de ônibus em São Paulo

Todo busão tem um pouco de navio negreiro

Pois é, mais uma vez, a Polícia Militar cumpre muito bem o seu papel de "cachorro raivoso", do poder estatal e, de maneira estúpida e imbecil, reprime uma manifestação pacífica, dos cerca de mil descontentes com o aumento para R$ 3,00, da tarifa de ônibus em São Paulo.

Na tarde da última quinta-feira (13/01), a avenida Ipiranga e ruas adjacentes, foram tomadas pela brutalidade dessa horda de burros chucros. Foram disparados muitos tiros (em tese, balas de borracha) e bombas de gás (que soltam estilhaços). As informações dão conta de que, várias pessoas ficaram feridas e outras foram detidas, além de algumas pessoas que tiveram suas máquinas fotográficas e celulares "confiscados" e tiveram seus arquivos deletados pela PM. Mais uma demonstração do tipo de governo autoritário a que estamos submetidos. E a democracia?

O triste disso tudo, é que os escravos fardados se esquecem, que eles e seus familiares também utilizam o transporte público, e assim como o povão (pois, eles também são do povo), terão uma grande parte de seu salário miserável, sendo gasto com a tarifa exorbitante, para andar no transporte carroceiro que o governo e a prefeitura nos oferecem.

Já está mais do que evidente, que a prefeitura está nas mãos da máfia dos transportes (além de muitas outras máfias, é claro). Como sempre, após o aumento da tarifa dos ônibus, seguirá o aumento do metrô e outros meios de transporte público. Ou alguém duvida disso?

Será preciso resistir e reclamar muito ainda, já que os principais jornais e a TV parecem estar ignorando esses fatos. Aliás, a mídia terá muito trabalho, para entreter a população do Brasil inteiro e manter as pessoas tranquilas e dóceis, fazendo o povo esquecer as tragédias que estão acontecendo nesse início de ano, com todas as enchentes e tudo mais.

Abaixo um vídeo que mostra uma boa parte da confusão, ocorrida no entorno da praça da República. Existem vídeos de manifestações que acontecem em outras cidades também, pois, diferentemente do que a maioria pensa, as pessoas não estão aceitando esses aumentos tão passivamente assim.

REFUSE/RESIST... sempre!

terça-feira, 28 de dezembro de 2010

Uma ode natalina


É tempo de festas, muita comida e bebida.
Todos alegres, para não dizer hipócritas ao quadrado.
Enquanto os cordeiros se regozijam, os lobos espreitam em silêncio.
E com a aurora, todos voltam a se odiar.

Louco insensível, alguns dirão!
Para tantos outros, non sense.
Apenas por não ter lugar nessa multidão,
Lesa, cega e guiada pela emoção.

Nessa época, do "politicamente correto",
Agem como durante a santa inquisição.
Julgando e condenando no tribunal da comunicação.
Todos aqueles que se levantam contra a "plastificação".

Ostracismo querido!
Libertai essa carcaça do tédio,
O tédio de regozijar com a massa feliz.
Feliz, pela infelicidade da cegueira e da demência.

Talvez essas palavras evaporem como um peido,
Mas, elas carregam os sentimentos de alguem que não se enquadra.
Assim como essas rimas, estripadas sem remorso.
Apenas para celebrar o vosso ódio e hipocrisia!

quarta-feira, 15 de dezembro de 2010

Uma pedra no meio do caminho

Por Michel Blanco . 14.12.10 - 20h16

Defender a legalização das drogas em meio ao alastramento do crack no país é fazer um pacto com o capeta, certo? Afinal, o pesadelo de pais que se prezem é o filho passar de um pega num baseado para a carreira de cocaína e dali para baforadas finais em um cachimbo da pedra. O temor se fundamenta no pressuposto de que mais pessoas serão tentadas a consumir drogas se legalizadas.

Essa ideia, no entanto, pode ser um equívoco. Leis antidrogas rígidas não garantem boas noites de sono para pais aflitos. Não há correlação entre proibição e redução de consumo. Al Capone que o diga: cidadãos de países onde a legislação é extremamente dura, como os Estados Unidos, se drogam mais em relação a outros. O grande feito do endurecimento legal antidrogas nos EUA é o inchaço da população carcerária – além de bilhões de dólares gastos na repressão, que ajudam a movimentar a cadeia de produção da indústria bélica.

Em contrapartida, a legalização pode reduzir tanto a oferta quanto o consumo. Heresia? Não, legalização não quer dizer oba-oba, mas o contrário. O traficante atua como empresário de um setor ilegal da economia, e como tal busca acumular capital, conquistar mercados, diversificar investimentos e reinvestir em seu ramo principal. O mercado de drogas ilícitas não é oposto à racionalidade capitalista, mas é a versão mais radical de seus valores, que não tolera impedimentos para sua expansão. Vive em autorregulação plena, como desejam alguns setores mais dinâmicos e criativos da economia brasileira. Justamente por ser ilícito, o tráfico de drogas foge de qualquer regulação: não há distinção entre oferta para adultos e crianças, garantia de padrões de qualidade (afinal, cocaína ‘batizada’ com pó de mármore ou algo do tipo causa um estrago a mais) ou advertência sobre os riscos do consumo.

Legalizar pressupõe, obviamente, a ação eficiente do Estado, e sob outra perspectiva, deslocando o problema da esfera policial para a saúde pública. As drogas seriam tributadas e sua produção, regulada; a receita proveniente da atividade (juntamente com a grana economizada com a repressão policial) bancaria campanhas de esclarecimento e tratamento a dependentes. Fornecedores como Fernandinho Beira-Mar ou Elias Maluco seriam substituídos por gente com alguma responsabilidade pública. Muito idealista? Para quem curte pipoco e cassetete, talvez.

Longe da perfeição, tal sistema exigiria fiscalização constante. Mas a política de redução de danos é a solução menos ruim para o problema, ante a constatação do fracasso da simples repressão policial e da falta de evidência de que chegaremos algum dia a um mundo livre de drogas. A defesa dessa mudança de foco ganha adesão em correntes ideológicas diversas. Da esquerda libertária ao liberalismo clássico – há 20 anos está na pauta da revista The Economist, ícone do liberalismo britânico. No Brasil, também começa a crescer o apoio político. O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso está nessa há um tempo. Agora é o governador do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral, quem se diz a favor de debater a legalização de drogas leves, convencido de que “a probição (sic) simples tem gerado muito mais prejuízo do que uma ação inteligente do poder público” (as bobagens que disse sobre aborto não invalidam a percepção de um problema prioritário em sua agenda).

Para ser eficaz, a ação do poder público deve mudar a forma de encarar o narcotráfico. A força do narcotráfico não se desenvolve apenas na violência desenfreada. Sua capacidade de fragmentar comunidades também é resultado das formações e vínculos sociais e culturais que promove em áreas onde predominam a pobreza e o descaso, em meio à incapacidade do Estado de ser agente do bem-estar. O narcotráfico não se trata de um meio de mobilização de poder que percorre unicamente submundos. O enorme potencial de corrupção dos bilhões de dólares que gera permite que percorra salões de governo e transações eletrônicas que saltam em contas bancárias robustas, em mercados de ativos e outras aplicações. Se o narcotráfico corre tão solto como se vê, é porque talvez não esteja confrontando-se com as estruturas de poder vigentes, mas fortalecendo-as. Está aí o elo a ser quebrado.

A legalização, em suma, implica a consolidação de uma política de saúde pública coerente no enfrentamento do uso abusivo de drogas, livre de preconceitos que distinguem substâncias lícitas de ilícitas. Rever o papel regulador do Estado sobre substâncias entorpecentes e enfrentar as drogas como um problema prioritariamente de saúde pública dá a chance de lidar com a dependência química de drogas pesadas como o crack, hoje um problema nacional, de maneira mais adequada.

O mundo fantasioso dos comerciais de cerveja e a prescrição desenfreada de barbitúricos também precisam de um olhar mais atento do poder público. Mas a regulação dos cigarros, embora ainda deficiente ante a criatividade do marketing tabagista, dá alguma esperança: o número de fumantes no Brasil cai a cada ano. E não é demais lembrar que, apesar de muitas drogas ilícitas serem extremamente prejudiciais à saúde, nenhuma rivaliza com a nicotina em potencial de dependência química. Vicia mais do que álcool, cocaína, morfina e… crack.

Fonte: Yahoo!

terça-feira, 23 de novembro de 2010

As 10 estratégias de manipulação midiática


O linguista Noam Chomsky* elaborou a lista das "10 estratégias de manipulação" através da mídia

Tradução: Adital

1 - A estratégia da distração
O elemento primordial do controle social é a estratégia da distração, que consiste em desviar a atenção do público dos problemas importantes e das mudanças decididas pelas elites políticas e econômicas, mediante a técnica do dilúvio ou inundação de contínuas distrações e de informações insignificantes. A estratégia da distração é igualmente indispensável para impedir que o público se interesse pelos conhecimentos essenciais, na área da ciência, da economia, da psicologia, da neurobiologia e da cibernética. "Manter a atenção do público distraída, longe dos verdadeiros problemas sociais, cativada por temas sem importância real. Manter o público ocupado; sem nenhum tempo para pensar; de volta à granja com outros animais". (citação do texto "Armas silenciosas para guerras tranquilas")

2 - Criar problemas e depois oferecer soluções
Esse método também é denominado "problema-reação-solução". Cria-se um problema, uma "situação" prevista para causar certa reação no público a fim de que este seja o mandante das medidas que desejam que sejam aceitas. Por exemplo: deixar que se desenvolva ou intensifique a violênca urbana, ou organizar atentados sangrentos, a fim de que o público seja o demandante de leis de segurança e políticas em prejuízo da liberdade. Ou também: criar uma crise econômica para forçar a aceitação, como um mal menor, do retrocesso dos direitos sociais e o desmantelamento dos serviços públicos.

3 - A estratégia da gradualidade
Para fazer com que uma medida inaceitável passe a ser aceita basta aplicá-la gradualmente, a conta-gotas, por anos consecutivos. Dessa maneira, condições socioeconômicas radicalmente novas (neoliberalismo) foram impostas durante as décadas de 1980 e 1990. Estado mínimo, privatizações, precariedade, flexibilidade, desemprego em massa, salários que já não asseguram ingressos decentes, tantas mudanças que teriam provocado uma revolução se tivessem sido aplicadas de uma só vez.

4 - A estratégia de diferir
Outra maneira de forçar a aceitação de uma decisão impopular é a de apresentá-la como "dolorosa e desnecessária", obtendo a aceitação pública, no momento, para uma aceitação futura. É mais fácil aceitar um sacríficio futuro do que um sacríficio imediato. Primeiro, porque o esforço não é empregado imediatamente. Logo, porque o público, a massa tem sempre a tendência a esperar ingenuamente que "tudo irá melhorar amanhã" e que o sacríficio exigido poderá ser evitado. Isso dá mais tempo ao público para acostumar-se à ideia de mudança e de aceitá-la com resignação quando chegue o momento.

5 - Dirigir-se ao público como se fossem menores de idade
A maior parte da publicidade dirigida ao grande público utiliza discursos, argumentos, personagens e entonação particularmente infantis, muitas vezes próximos à debilidade mental, como se o espectador fosse uma pessoa menor de idade ou portador de distúrbios mentais. Quanto mais tentem enganar o espectador, mais tendem a adotar um tom infantilizante. Por que? "Aí alguém se dirige a uma pessoa como se ela tivesse 12 anos ou menos, em razão da sugestionabilidade, então, provavelmente, ela terá uma resposta ou reação também desprovida de um sentido crítico". (ver "Armas silenciosas para guerras tranquilas")

6 - Utilizar o aspecto emocional mais do que a reflexão
Fazer uso do aspecto emocional é uma técnica clássica para causar um curto circuito na análise racional e, finalmente, ao sentido crítico dos indivíduos. Por outro lado, a utilização do registro emocional permite abrir a porta de acesso ao inconsciente para implantar ou enxertar ideias, desejos, medos e temores, compulsões ou induzir comportamentos.

7 - Manter o público na ignorância e na mediocridade
Fazer com que o público seja incapaz de copreender as tecnologias e os métodos utilizados para seu controle e sua escravidão. "A qualidade da educação dada às classes sociais menos favorecidas deve ser a mais pobre e medíocre possível, de forma que a distância da ignorância que planeja entre as classes menos favorecidas e as classes mais favorecidas seja e permaneça impossível de alcançar". (ver "Armas silenciosas para guerras tranquilas")

8 - Estimular o público a ser complacente com a mediocridade
Levar o público a crer que é moda o fato de ser estúpido, vulgar e inculto.

9 - Reforçar a autoculpabilidade
Fazer as pessoas acreditarem que são culpadas por sua própria desgraça, devido à pouca inteligência, por falta de capacidade ou de esforços. Assim, em vez de rebelar-se contra o sistema econômico, o indivíduo se autodesvalida e se culpa, o que gera um estado depressivo, cujo um dos efeitos é a inibição de sua ação. E sem ação, não há revolução!

10 - Conhecer os indivíduos melhor do que eles mesmos se conhecem
No transcurso dos últimos 50 anos, os avanços acelerados da ciência gerou uma brecha crescente entre os conhecimentos do público e os possuídos e utilizados pelas elites dominantes. Graças à biologia, à neurobiologia e à psicologia aplicada, o "sistema" tem desfrutado de um conhecimento avançado do ser humano, tanto no aspecto físico quanto no psicológico. O sistema conseguiu conhecer melhor o indivíduo comum do que ele a si mesmo. Isso significa que, na maioria dos casos, o sistema exerce um controle maior e um grande poder sobre os indivíduos, maior do que o dos indivíduos sobre si mesmos.

* Linguista, filósofo e ativista político estadunidense. Professor de Linguística no Instituto de Tecnologia de Massachusetts

Fonte: Adital

segunda-feira, 30 de agosto de 2010

Decepção


A decepção, cega, emudece, contorce
Gosto amargo que a mente entorpece
Incomoda a noite mal dormida
Passam-se as horas, o filme da vida

Retomando o rumo da caminhada
Nos olhos sentindo o fio da navalha
De rosto no chão, muda decepção
O frio na espinha, mudando a direção

Pedra rígida que o tempo atravessa
Tempo que envolve e consome
A mudança agita a matéria
Transforma e a tudo supera

Rubão Almeida