
quarta-feira, 9 de março de 2011
Morre baixista da formação clássica do Alice in Chains

quarta-feira, 15 de dezembro de 2010
Uma pedra no meio do caminho
Por Michel Blanco . 14.12.10 - 20h16Essa ideia, no entanto, pode ser um equívoco. Leis antidrogas rígidas não garantem boas noites de sono para pais aflitos. Não há correlação entre proibição e redução de consumo. Al Capone que o diga: cidadãos de países onde a legislação é extremamente dura, como os Estados Unidos, se drogam mais em relação a outros. O grande feito do endurecimento legal antidrogas nos EUA é o inchaço da população carcerária – além de bilhões de dólares gastos na repressão, que ajudam a movimentar a cadeia de produção da indústria bélica.
Em contrapartida, a legalização pode reduzir tanto a oferta quanto o consumo. Heresia? Não, legalização não quer dizer oba-oba, mas o contrário. O traficante atua como empresário de um setor ilegal da economia, e como tal busca acumular capital, conquistar mercados, diversificar investimentos e reinvestir em seu ramo principal. O mercado de drogas ilícitas não é oposto à racionalidade capitalista, mas é a versão mais radical de seus valores, que não tolera impedimentos para sua expansão. Vive em autorregulação plena, como desejam alguns setores mais dinâmicos e criativos da economia brasileira. Justamente por ser ilícito, o tráfico de drogas foge de qualquer regulação: não há distinção entre oferta para adultos e crianças, garantia de padrões de qualidade (afinal, cocaína ‘batizada’ com pó de mármore ou algo do tipo causa um estrago a mais) ou advertência sobre os riscos do consumo.
Legalizar pressupõe, obviamente, a ação eficiente do Estado, e sob outra perspectiva, deslocando o problema da esfera policial para a saúde pública. As drogas seriam tributadas e sua produção, regulada; a receita proveniente da atividade (juntamente com a grana economizada com a repressão policial) bancaria campanhas de esclarecimento e tratamento a dependentes. Fornecedores como Fernandinho Beira-Mar ou Elias Maluco seriam substituídos por gente com alguma responsabilidade pública. Muito idealista? Para quem curte pipoco e cassetete, talvez.
Longe da perfeição, tal sistema exigiria fiscalização constante. Mas a política de redução de danos é a solução menos ruim para o problema, ante a constatação do fracasso da simples repressão policial e da falta de evidência de que chegaremos algum dia a um mundo livre de drogas. A defesa dessa mudança de foco ganha adesão em correntes ideológicas diversas. Da esquerda libertária ao liberalismo clássico – há 20 anos está na pauta da revista The Economist, ícone do liberalismo britânico. No Brasil, também começa a crescer o apoio político. O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso está nessa há um tempo. Agora é o governador do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral, quem se diz a favor de debater a legalização de drogas leves, convencido de que “a probição (sic) simples tem gerado muito mais prejuízo do que uma ação inteligente do poder público” (as bobagens que disse sobre aborto não invalidam a percepção de um problema prioritário em sua agenda).
Para ser eficaz, a ação do poder público deve mudar a forma de encarar o narcotráfico. A força do narcotráfico não se desenvolve apenas na violência desenfreada. Sua capacidade de fragmentar comunidades também é resultado das formações e vínculos sociais e culturais que promove em áreas onde predominam a pobreza e o descaso, em meio à incapacidade do Estado de ser agente do bem-estar. O narcotráfico não se trata de um meio de mobilização de poder que percorre unicamente submundos. O enorme potencial de corrupção dos bilhões de dólares que gera permite que percorra salões de governo e transações eletrônicas que saltam em contas bancárias robustas, em mercados de ativos e outras aplicações. Se o narcotráfico corre tão solto como se vê, é porque talvez não esteja confrontando-se com as estruturas de poder vigentes, mas fortalecendo-as. Está aí o elo a ser quebrado.
A legalização, em suma, implica a consolidação de uma política de saúde pública coerente no enfrentamento do uso abusivo de drogas, livre de preconceitos que distinguem substâncias lícitas de ilícitas. Rever o papel regulador do Estado sobre substâncias entorpecentes e enfrentar as drogas como um problema prioritariamente de saúde pública dá a chance de lidar com a dependência química de drogas pesadas como o crack, hoje um problema nacional, de maneira mais adequada.
O mundo fantasioso dos comerciais de cerveja e a prescrição desenfreada de barbitúricos também precisam de um olhar mais atento do poder público. Mas a regulação dos cigarros, embora ainda deficiente ante a criatividade do marketing tabagista, dá alguma esperança: o número de fumantes no Brasil cai a cada ano. E não é demais lembrar que, apesar de muitas drogas ilícitas serem extremamente prejudiciais à saúde, nenhuma rivaliza com a nicotina em potencial de dependência química. Vicia mais do que álcool, cocaína, morfina e… crack.
sábado, 11 de julho de 2009
PUC/SP faz cruzada contra a maconha
Pró-reitor de Cultura da PUC-SP responde a 4 perguntas sobre ação de fiscais no câmpus
Bruna Tiussu - Especial para O Estado de S. Paulo
SERGIO NEVES/AE
SÃO PAULO - O uso de drogas é um problema recorrente (e até folclórico) no câmpus. Por que só agora reprimi-lo?
E já deu resultado?
Os estudantes se negam a dar o nome aos fiscais, o que já esperávamos. Porém, a fiscalização causou natural inibição do uso de maconha e constatamos uma queda de abordagens: hoje são 10 usuários por dia, já é um avanço. E, quando tivermos a identificação, vamos conduzir os alunos, obrigatoriamente, a acompanhamento socioeducativo.
Qual o maior obstáculo para o sucesso da iniciativa?
O questionamento com os alunos é o maior desafio. Há um grupo de estudantes pouco aberto ao diálogo, mas não abdicamos. Não estamos fazendo política linha-dura, como dizem por aí, nem é uma medida moralista. O objetivo é questionar os mal-estares do mundo atual, e o uso de drogas é um deles.
Haverá outras medidas?
Acho que não precisaremos impor meios de identificação pessoal ou catracas. Os 120 fiscais transitam por todo o câmpus, menos nos centros acadêmicos, por ordem do reitor, mas isso ainda não virou um empecilho à campanha. Houve boatos de plaquinhas nas portas dos CAs dizendo que ali é ambiente livre para fumar. Caso haja problemas, repensaremos a questão. Damos um grau de liberdade interessante aos alunos e à comunidade, prezamos a boa presença da PUC no município, aberta para o trânsito de não-alunos, e queremos mantê-la assim.
http://www.estadao.com.br/suplementos/not_sup395524,0.shtm