quinta-feira, 22 de março de 2018

Por que o Brasil de Marielle importa tanto?


Nos últimos cinco anos assistimos diversas mudanças no comportamento da sociedade brasileira, especialmente após as manifestações ocorridas em 2013. De lá para cá, muita coisa aconteceu, mas, de imediato, a impressão geral era de que tudo havia voltado à "normalidade", ou seja, à velha postura geral, de desinteresse pela coisa política e das ações que interferem na vida de todos.

Só que nos últimos tempos, especialmente após o impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff, ocorrido em 2016, a população brasileira tem dado sinais de que de fato, todos estamos, mesmo que de maneira totalmente equivocada, envolvidos e participando das questões políticas. Nos últimos meses teve início uma verdadeira enxurrada de postagens, opiniões e diversos tipos de casos de envolvimento político, por parte da população comum. Cada um expressando seus posicionamentos e dando início a um embate ideológico entre as chamadas direita e esquerda. O que quero analisar aqui, não é a validade ou não, de candidato A, B ou C, mas sim, a atitude da população, em sua relação com a política e os possíveis impactos disso, inclusive nas relações democráticas globais.

Me parece que o surgimento dos atuais candidatos de extrema direita, deram nova voz a uma parcela da população que, desde o fim da infame ditadura civil-militar (1964-1985), esteve recolhida aos seus "guetos", onde eles não puderam externar livremente seu posicionamento, inclusive de apologia abertamente nazi-fascista. Acontece que, após a oficialização de um candidato, que prega abertamente, seus discursos de ódio contra grupos específicos da sociedade, essa população, até então "marginalizada", sentiu que de repente, poderia falar e tal qual ocorreu com a chamada esquerda, no período pós 1985, agora eles podem respirar livremente e soltar seu grito reprimido por tanto tempo.

Na última semana, o fatídico episódio do assassinato da vereadora carioca Marielle Franco, fez com que vários setores da sociedade externassem seus posicionamentos ideológicos, via redes sociais e também nas ruas pelo país. Eis que, de repente, ouviu-se a voz de policiais, juízes, desembargadores e uma grande leva de pessoas, que nem sequer sabiam de fato, de que se tratava todo aquele alvoroço. Foi possível observar como é que as pessoas, inclusive aquelas que são responsáveis por zelar pela segurança da população, julgar, ou legislar, pensam no mais profundo de seus subconscientes. Até então, havia no senso comum, a ideia de que essas pessoas não externavam seus pontos de vista, justamente por conta de suas posições ou cargos.

Agora ficou bem claro, para o mundo todo ver, como é que o Brasil funciona de fato. A hipocrisia que todo brasileiro conhece desde cedo, agora foi escancarada sob a luz da liberdade de expressão. Os últimos dois ou três meses, trouxeram à baila, o DNA da formação do povo brasileiro, com todo o seu rancor, diferenças sociais, e claro, a sua beleza também. Entre as muitas manifestações de intolerância, também foi possível assistir e ler que há uma parcela da população que já conseguiu dar o salto qualitativo e se desprender do ranço da mentalidade escravista, da hipocrisia religiosa e passar a lidar e conviver com a diferença de forma mais harmoniosa. Daqui por diante, é possível que tenhamos uma mudança, para melhor nesse sentido, da tolerância e do respeito àquele que pensa de maneira diferente do grande rebanho.

Porém, ainda existem fatos que podem nos levar a uma leitura pessimista para o Brasil no século XXI. Parece que estamos diante de uma grande mudança e, grandes mudanças quase sempre acontecem depois de cataclismos. A própria história brasileira é repleta de eventos que foram catastróficos e precederam mudanças radicais. É possível que tenhamos inclusive, que enfrentar uma guerra civil, que não seria boa para ninguém, mas, diante do porte das divergências que se evidenciam, é possível que essas diferenças só possam ser resolvidas através do caos absoluto, afinal, estamos diante de ódios e diferenças seculares que sempre foram mascaradas, em nome da "boa convivência" geral. Existe muita intolerância que foi encoberta por séculos, sob o manto da hipocrisia e, é justamente esse fenômeno que, talvez tenha chegado o momento do Brasil encarar de frente, para só então superar e seguir adiante. Mas qual será o preço a se pagar, por essa metamorfose social?

A intolerância racial, por exemplo, demonstra que os quase quatrocentos anos de sistema escravista não ficaram limitados ao contexto do século XIX, quando a escravidão foi tornada ilegal. Ela ainda persiste, inclusive no âmago de nossas instituições governamentais e inclusive a nossa cultura é permeada pela mentalidade escravista e escrava. Ainda somos uma nação muito jovem e, como tal, ainda estamos nos acostumando com o novo, ou seja, com o modelo diferente daquele que fundou toda a nossa forma de ser, enquanto nação. Essas palavras, já não são mais algo a ser desvendado por cientistas sociais ou filósofos, o senso comum já está de posse dessas informações e já construiu o seu ideário. Aqui a internet cumpriu e cumpre seu papel muito bem. Resta entendermos agora, quais serão os processos para se chegar à concretização desse país ideal, que sempre fez parte dos desejos mais profundos de sambistas, escritores, artistas e de qualquer um que queira compartilhar um lugar saudável para se viver.

Mas, por que essas mudanças importam tanto? Porque a meu ver, será do modelo criado a partir dos escombros desse Brasil em que vivemos hoje, que o mundo vai direcionar seu modelo democrático. Sim, estou sendo bastante pretensioso em minha análise, pois, acredito que o modelo democrático atual, tenha muito a aprender com as experiências brasileiras. As maiores potências globais da atualidade não têm interesses apenas e tão somente exploratórios, sobre o Brasil. Penso que podemos demonstrar ao mundo como se cria uma nação, com mais justeza, essencialmente por sermos jovens e ainda termos inúmeras opções pela frente. Somos uma espécie de laboratório para a democracia global.

É possível que essa nova sociedade brasileira já tenha se iniciado, bem debaixo dos nossos olhos, porque os eventos atuais demonstram que vivemos um período de disputa intensa, mas também é fato que qualquer um dos lados, aos ser vencido, não se dará por derrotado e é possível que esse seja o começo dessa mudança radical. Podemos fazer milhares de ilações sobre a influência internacional, nas próximas decisões políticas, mas há uma grande vontade, especialmente entre os mais jovens, de modificar o atual cenário, onde as instituições estão se desintegrando e os representantes públicos já não são capazes de responder aos anseios das diferentes populações. Vivemos em um tempo onde o modelo já moribundo, se mantém apenas pelas conveniências de grupos que ainda detém o poder econômico, mas é possível que esse modelo também esteja com seus dias contados. Assim sendo, acredito que é uma questão de tempo, até o próximo jovem genial surgir para apresentar ao mundo um novo esquema, onde essas regras atuais não farão o menor sentido.


Rubens Almeida é professor de Filosofia da rede pública de ensino paulista, desde 2006.




quarta-feira, 14 de março de 2018

Stephen Hawking (1942-2018)


A manhã desta quarta-feira, 14 de março de 2018, ficará marcada para a posteridade, como o dia em que a mente mais brilhante desde Einstein se foi. Stephen Hawking nasceu em 8 de janeiro de 1942, exatamente 300 anos após a morte de Galileu Galilei e morre no mesmo dia em que Albert Einstein veio à este mundo.

Já há vários anos, Hawking era comparado a outros grandes nomes da ciência, entre eles o próprio Einstein, Issac Newton, Galileu Galilei e tantos outros que deixaram sua contribuição para o desenvolvimento humano.

Stephen Hawking era físico, cosmólogo, além de um grande desafiador dos limites humanos e da própria ciência, uma vez que, aos 21 anos foi diagnosticado com Esclerose Lateral Amiotrófica (ELA) e desde então, os médicos lhe deram apenas mais três anos de vida.

Uma de suas obras mais famosas é o livro Breve História do Tempo, de 1988, que se tornou um best-seller e vendeu mais de 10 milhões de exemplares, em todo o mundo. Suas teorias então passaram a ser apreciadas por pessoas em todo o mundo, mesmo as que não fossem exatamente acadêmicas.

Uma de suas afirmações mais ousadas foi a respeito da Teoria Geral da Relatividade de Einstein, que, segundo ele, implicaria que o espaço e o tempo teriam um início no Big Bang e um fim nos buracos negros.

Apesar de todas as limitações, Hawking não deixou de se aventurar mundo afora. Conheceu a Antártida e, em outra oportunidade participou de um voo, onde experimentou a gravidade zero. Apesar de toda a seriedade e importância de seu trabalho, Hawking sempre foi uma pessoa com um grande senso de humor e, nunca deixou de fazer piadas consigo mesmo, em sua página na internet.

Em 2014, sua vida foi retratada no cinema, com o filme A Teoria De Tudo. Inclusive naquele momento, Hawking fazia piadas de si, como em uma entrevista, onde ele disse que não podia sair para nenhum lugar sem ser reconhecido, pois não era possível esconder-se atrás de óculos escuros, já que sua cadeira o denunciava. Muito obrigado e descanse em paz, Dr. Hawking.

quarta-feira, 31 de janeiro de 2018

Botinada FM, a sua opção em rock

Para os amantes do rock e jazz, já está em atividade a rádio Botinada FM, com uma programação voltada ao rock de todas as eras e também jazz. A programação diária se inicia às 6h e vai até às 2h, de segunda a sexta e nos finais de semana segue online 24h.
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quarta-feira, 17 de outubro de 2012

Cidadão Boilesen


Henning Albert Boilesen foi um empresário dinamarquês radicado no Brasil, acusado por militantes de esquerda de ser um dos financiadores da Operação Bandeirante, de ensinar técnicas de tortura e de ser agente da CIA. Foi justiçado (assassinado sem direito a julgamento), em 15 de abril de 1971, na cidade de São Paulo. 

Henning Boilesen foi uma pessoa muito influente na indústria brasileira, durante a época da ditadura militar, tendo participado da fundação do Centro de Integração Empresa Escola (CIEE), foi presidente da Ultragás e do Rotary Clube. Também foi um dos primeiros grandes empresários a financiar o aparato político-militar brasileiro, que torturou e matou em São Paulo, por meio da Operação Bandeirante (OBAN), que viria a ser o embrião do modus operandi dos DOI-CODI (Destacamento de Operações de Informações-Coordenação de Defesa Interna). 

Boilesen foi executado a tiros, por militantes de duas organizações de esquerda, na manhã de 15 de abril de 1971, no bairro dos Jardins, em São Paulo. Seus executores dizem que o escolheram como exemplo para um justiçamento, acusando-o de ajudar no financiamento da repressão e de assistir a sessões de tortura de presos políticos. Dizem também que Boilesen gozava da intimidade dos agentes de segurança da OBAN e que haveria até um instrumento de tortura conhecida como Pianola Boilesen, em homenagem ao empresário, que trouxe do exterior, uma máquina de eletro-choque acionada por teclado.

O documentário Cidadão Boilesen de Chaim Litewski, montado por Pedro Asbeg, conta a história do empresário. O documentário afirma que Boilesen era um cidadão marcado pelas ambiguidades e paradoxos, típicos dos seres humanos. O filme vai até a Dinamarca, visita os arquivos de histórico escolar, da escola onde Boilesen estudou quando criança e adolescente, no início do século passado; além de entrevistar amigos, colaboradores civis e militares do empresário, seu filho mais velho, o cônsul americano em São Paulo na época dos acontecimentos e um dos militantes que participaram da morte do empresário. Contém ainda, depoimentos de figuras como o ex-Presidente do Brasil Fernando Henrique Cardoso, o ex-governador de São Paulo, Paulo Egídio Martins, do coronel Erasmo Dias e do cardeal Dom Paulo Evaristo Arns, entre outros personagens importantes da época. O filme debate fartamente o hábito do empresário de assistir as sessões de tortura, confirmado por testemunhos de militares e militantes da época.

Fonte: Wikipedia


segunda-feira, 5 de março de 2012

O Mundo de Sofia


Filme baseado no livro de Jostein Gaarder, publicado em 1991. Uma boa introdução ao mundo da filosofia ocidental.



domingo, 19 de fevereiro de 2012

A História do Brasil


Excelente aula de História do Brasil, com o professor Boris Fausto, desde a chegada dos portugueses até o governo do presidente Lula, eleito pelo voto direto, em 2002. Este documentário aborda de maneira bastante didática vários fatos que contribuíram para a formação da nação brasileira, em seus pouco mais de 500 anos de existência.

domingo, 4 de dezembro de 2011

Dr. Sócrates (1954-2011)


Por Rubão Almeida

Existem dias que começam antes da meia noite, e hoje começou ontem, quando eu ví na televisão uma notícia sobre o extremamente debilitado estado de saúde de Sócrates, o ex jogador do Corinthians. Imediatamente algo me dizia que aqueles seriam os últimos momentos do Doutor, como era conhecido pela maioria daqueles que o viram dar espetáculos, em seus jogos com a camisa do Timão e da seleção brasileira.

Acabei acordando hoje, com a notícia do falecimento do Dr. Sócrates, às 4:30 da manhã, e logo percebí que este seria um dia diferente, daqueles para entrar para a história. Tudo porque hoje era o dia em que o Corinthians iria decidir o Campeonato Brasileiro de 2011, com o rival histórico, o Palmeiras. E no caso de conquista do título, seria um dia triste, mas que ficaria marcado na história do clube, como o Dia de Sócrates, pela conquista do brasileirão.

E assim foi, o Timão chegou ao seu quinto título brasileiro, para a glória máxima de um de seus maiores ídolos, que foi como um maestro na regência de sua orquestra. O time apresentou um futebol, que está longe de ser comparável àquele em que o Dr. jogou, em sua gloriosa passagem pelo Corinthians, mas foi suficiente para garantir o empate contra o Palmeiras e conquistar o quinto brasileirão. A partir de agora, quando contarmos a história do Timão, vamos ter de falar deste dia e lembrar de um dos maiores ídolos da história do clube.

Em diversas redes sociais, pela internet, foram vistas mensagens de homenagem ao doutor, de pessoas que são torcedoras de diversos times, por onde ele jogou, ou simplesmente, de amantes do futebol arte, que assim como eu, aprendeu a admirar o futebol de toda uma geração, que se preocupava apenas em jogar o fino da arte do futebol.

Contemporâneo de gênios como Zico, Júnior, Roberto Dinamite, Éder, Casagrande, entre muitos outros, que fizeram a alegria de milhões de torcedores, que assistiam futebol entre as décadas de 70 e 80, do século XX. Sócrates fez fama ao conquistar os títulos paulistas de 1979, 1982 e 1983, pelo Corinthians, além de ter participado das Seleções que disputaram as Copas de 1982 e 1986, sob a batuta do maestro Telê Santana. Também jogou na Fiorentina, da Itália, no Flmaengo e no Santos, no final da década de 80, onde demonstrou suas jogadas de calcanhar, que se tornaram sua marca registrada, sendo autor de vários gols importantes, como os da seleção brasileira na Copa de 1982.

Sócrates deixará saudades e suas jogadas ficarão na memória de muitos corintianos, por várias gerações, que se lembrarão do dia em que o doutor foi embora, para ver o Timão campeão de um outro plano. Descanse em paz, doutor da bola e parabéns ao Corinthians, pelo seu quinto Campeonato Brasileiro!!


quarta-feira, 9 de novembro de 2011

Personagem: Ricardo Gumbleton Daunt



Túmulo do Dr. Ricardo G. Daunt, no Cemitério da Saudade, Campinas/SP

Por: Anna Gicelle Garcia Alaniz
 
Ricardo Gumbleton Daunt nasceu em Cork, na Irlanda, mais precisamente no Castelo de Kilcascan, de propriedade de seu avô William Daunt, em trinta de agosto de mil oitocentos e dezoito. Era filho primogênito de Richard Gumbleton Daunt e Anna Dixon Raines, de Kirkland. Devido ao sistema de morgadio, sendo o segundo filho de William Daunt, seu pai viu-se excluído da sucessão nos títulos e terras da família, tornando-se capitão do exército inglês. Aos cinco anos, tendo-lhe falecido a mãe, o Dr. Ricardo passou a ser educado pela família desta na Inglaterra.

Existe uma pequena discrepância, em duas fontes documentais, acerca do local de seu nascimento. J. David Jorge[1] em ensaio sobre a cidade de Campinas, indica a localidade de Hull na Inglaterra. Já os registros de seu histórico escolar na Faculdade de Medicina de Edimburgo, indicam Humbleton in East Yorkshire, também na Inglaterra.[2] A família, entretanto, sustenta a versão endossada por vários outros relatos, que situam no castelo de Kilcascan, o local onde o médico veio à luz.

Suas origens parecem perder-se na noite dos tempos da conquista normanda, mas procuraremos reconstruí-las com base nos dados fornecidos por Estêvão Leão Bourroul[3], Salvador de Moya[4] e Sacramento Blake[5], além daqueles do Livro de Ouro[6] organizado por seu neto homônimo, por ocasião do centenário de seu nascimento. Quando, no ano de 1066, Guilherme atravessou o Canal da Mancha e empreendeu a conquista bem sucedida das Ilhas Britânicas, levou consigo os primeiros Daunt a fixar-se em solo inglês, deixando na Normandia uma parte da família, que grafava-se Dauntre, de modo afrancesado.[7] Ao longo dos anos, através dos casamentos, os Daunt foram ligando-se aos De Tracy, de Toddington, e aos Owlpen, de Gloucester. Participaram de batalhas célebres e estabeleceram alianças sempre próximas aos monarcas reinantes.[8]

Durante a Guerra da Duas Rosas, os Daunt apoiaram a Casa Lancaster, da Rosa-Vermelha, ligando-se aos Stowell, de Somerton. Após o período sangrento em que as Casas de York e Lancaster pereceram e propiciaram a ascensão dos Tudor, a situação da família e seus aliados foi-se complicando ano após ano. Católicos ortodoxos, alguns dos Daunt foram surpreendidos pela reforma de Henrique VIII, que foi posteriormente consolidada por sua filha Elizabeth I. Aqueles foram anos de incertezas políticas, conspirações, ameaças de guerras iminentes com a Espanha e a França, não apenas devido à religião, mas à supremacia política da Europa ocidental. Foi durante o reinado de Elizabeth I, que Thomaz Daunt Owlpen de Throckmorton passou à Irlanda, fugindo às perseguições, para ali fixar-se, dando origem ao tronco familiar no qual o Dr. Ricardo viria a nascer.[9]

Identificação do túmulo
A passagem dos Daunt para a Irlanda, deu-se em um período bastante conturbado e marcado pelo estigma das disputas religiosas. Em sua nova terra, a família ligou-se aos O’Connor, de uma longa linhagem de patriotas, descendentes de Roderick O’Connor, o 183o. Monarca Suzerano da Irlanda, que falecera em 1198d.C. O Dr. Ricardo orgulhava-se desse parentesco que incluía Fergus O’Connor, líder cartista e membro do Parlamento em Londres, e Francis Burdett O’Connor, companheiro de Simón Bolívar nas guerras de independência da América Espanhola. Costumava corresponder-se com o neto de Francis, Dr. Thomaz O’Connor D’Arlach, residente em Tarija, na Bolívia, e editor do jornal “La Estrella de Tarija”.[10]

Apesar do caráter migratório da trajetória dos Daunt, o Dr. Ricardo considerava-se irlandês. Talvez porque as origens normandas dos Daunt, o identificassem mais ao povo celta, que dera origem à Irlanda, do que aos saxões da Inglaterra. Considerava-se irlandês e Aristocrata, assim mesmo grafado com maiúscula, conforme costumava fazê-lo em sua correspondência pessoal.

Sua formação deu-se sob a direção do Dr. Isaac Dixon, seu tio materno. Além da “sólida moral cristã”, este parece tê-lo apoiado nos caminhos da medicina. O doutor Ricardo estudara temporariamente nas faculdades de Paris e Viena, mas graduara-se em Edimburgo, bem como acompanhara o curso de Humanidades, em Londres. Devido ao caráter vasto de seus estudos e à habilidade e interesse por expressar-se em diversas línguas, logo adquiriu fama de erudito.[11] “Tinha notavel erudição, não só em Medicina, como em Philosophia, Historia, Sciencias Naturaes e Sociaes, e conhecia muito bem o Latim, Grego, Allemão, Inglez, Celta, Francez, Russo, Hespanhol e Portuguez.”[12]; Afirma-se no Livro de Ouro. Entretanto, esse cabedal de conhecimentos reflete uma longa trajetória de árduos estudos que prolongou-se por sua vida afora. Sempre pesquisando e participando ativamente de Sociedades e Institutos, o Dr. Ricardo cultivava sua erudição com um zelo muito maior do que aquele que dedicava à sua clínica ou a suas propriedades.[13]

Em 2 de agosto de 1841 foi lavrado seu pergaminho de Doutor em função da tese defendida que versava sobre inflamações agudas. Chegando ao Rio de Janeiro em 1843, após uma passagem pela África do Sul, defendeu publicamente perante a Faculdade de Medicina nova tese que lhe possibilitou o exercício da clínica no Brasil, conforme exigências legais. Clinicou em Macaé, mas acabou por radicar-se na Província de São Paulo. Em 24 de Abril de 1850 foi expedida a carta de naturalização, que o transformou em cidadão brasileiro.

Como membro correspondente do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro, onde algumas de suas cartas ainda são conservadas nos arquivos, desenvolveu uma atividade prolífica entrevistando pessoas idosas à procura de memórias sobre a origem de usos, costumes, palavras e sobre o passado das famílias paulistas. Genealogista obcecado, entregou-se à paixão de localizar, identificar e remeter ao Instituto, manuscritos setecentistas que foram elaborados por Pedro Taques, entre outros.

Sua dedicação como erudito, de certo modo, igualava sua pertinácia como conservador. Do mesmo modo, seu catolicismo ferrenho levava-o constantemente à crítica da expulsão dos jesuítas, chamando de parvenu ao Marques de Pombal, em uma clara alusão ao enobrecimento tardio por contraposição às suas próprias origens. Afirmava que a educação e a moral da Província de São Paulo encontravam-se em um acelerado processo de decadência, devido ao fechamento das escolas fundadas pelos jesuítas. Crítico implacável das idéias dos jansenistas, reconstituía com freqüência a vida dos padres de Itú, revelando suas fontes e informações, e expressando sua frustração com o estado das tradições e do ensino na cidade e na Província.[14]

Encontrava-se, por ocasião de seus trabalhos como genealogista, que geraram as primeiras correspondências junto ao Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro, residindo na cidade de Itú. Sendo um dos fundadores do partido católico, durante o segundo reinado, dividia igualmente sua paixão entre a clínica, a política e o ofício de historiador amador.

Em Campinas foi tesoureiro da irmandade do Espírito Santo, estava listado entre os lavradores (isto é, proprietários de lavoura), e também como médico e 4o. Juiz de Paz da Paróquia de Santa Cruz. Fora vereador na cidade e tornaria a sê-lo por várias vezes, bem como deputado à Assembléia Provincial, e conquistara sua fama de luminar da medicina, talvez não apenas por sua procedência mas pelo caráter enfático com que sublinhava seus diagnósticos e opiniões.


Residência do Dr. Ricardo, no centro de Campinas/SP
Em 18 de setembro de 1845 casou-se com Anna Francelina de Camargo, filha de Joaquim José dos Santos Camargo, de ilustre família paulista, resultando dessa união seus nove filhos: Haroldo (1846-1886) – foi vigário de Capivari; Torlogo (1847-1909) – era advogado e exerceu vários cargos públicos em Campinas; Fergus (1849-1911) – foi Vigário Geral de São Paulo; Alicia (1851-1933) – embora permanecesse solteira, tivera esmerada educação no Colégio Patrocínio de Itú e veio a herdar-lhe a casa da rua Marechal Deodoro; Briano (?-1889) – era advogado e faleceu solteiro; Winifrida (1857-1928) – teve o casamento arranjado com José de Salles Leme; Fernando (1858-1930) – permaneceu solteiro e não sabemos ao certo se chegou a ter alguma profissão; do mesmo modo, de Cornélio, casado com Anezia de Queiroz Ferreira, a família informou que tendo abandonado a Faculdade de Direito do Largo São Francisco, dedicou-se ao magistério; Rogério (1862-1914) – era advogado.

A importância do parentesco com os Camargo revelou-se na hora encaminhar seus filhos ao estudo ou conseguir-lhes casamentos vantajosos, bem como de deixar suas duas filhas bem amparadas. O caráter recolhido de sua vida familiar, impossibilita-nos de obter dados sobre a natureza de seu casamento ou da convivência com seus filhos. Tanto seu testamento, quanto o de sua esposa, falecida em 1885, demonstram que apesar de sua mobilidade e inserção social adequada, sua vida permanecera modesta e ao final tornara-se bastante austera. Do estabelecimento de lavoura que, em 1866, contava com mais de vinte escravos, provavelmente herdado de Joaquim José dos Santos Camargo, nada restara.[15] As crises do café e o costume de ser fiador de dívidas de parentes levaram esses bens. Apenas restava-lhes a casa da rua Marechal Deodoro e sua extensão que dava para a rua Sacramento.

Apesar da estima aparentemente mútua entre o Dr. Ricardo e seu sogro, a herança do velho Joaquim não pôde ser aumentada ou bem conservada devido aos reveses econômicos e às disputas familiares. Por ocasião do falecimento do Dr. Ricardo, em 1893, apenas a casa de residência à antiga rua do Imperador, por então e até hoje renomeada Marechal Deodoro, mais quadros, livros e mobília, constituíam o patrimônio que foi dividido pelos sete filhos que lhe sobreviveram.[16]

Anna Francelina de Camargo, passou quarenta anos de sua vida casada com o Dr. Ricardo Gumbleton Daunt, e embora fosse através de sua pessoa que este fora inserido na parentela dos Camargo, e que obtivera uma boa parte dos bens materiais que lhe passaram pelas mãos, pouco ou nada sabe-se dessa senhora. Nos casos de dívidas e execuções, D. Anna tivera seu nome ligado indissoluvelmente ao do marido, e em momento algum fora ouvida quer fosse nos tribunais ou em qualquer outra instância da sociedade civil.

Seu testamento foi realizado no leito, durante a agonia que prolongou-se durante alguns meses. Gravemente enferma, D. Anna Francelina preocupava-se com o bem-estar futuro de seu marido e com a salvação da própria alma. Assim, após vários legados simples em que beneficiava as Paróquias de Conceição e de Santa Cruz, a fim de que fossem rezadas as missas necessárias a bem da paz de sua alma, procurou dispor de sua terça da maneira como achava mais justo e adequado.

Cada legado às paróquias montava a um conto e cem mil réis; duzentos mil réis iam para sua neta Alfrida, filha de Torlogo O’Connor Paes de Camargo e Dauntre, seu segundo filho; o remanescente da terça, em partes iguais, ia para seus filhos Fernando e Alice, e seria parte da casa de residência da família à rua do Imperador, número dez; deixa claro que esta casa era uma doação que seu pai lhe havia feito e que, portanto não entrara para a comunhão de bens do casal, mas institui seu marido como meeiro e deixa-lhe a metade do imóvel.[17]

O Dr. Ricardo, por sua vez, faleceu em 7 de junho de 1893, apenas dois meses após a confecção de seu próprio testamento. A causa mortis dada pelo Dr. Domingos de Azevedo em seu atestado de óbito, foi “syncope”; ou seja uma síncope ou ataque qualquer de natureza desconhecida. Para um homem temperamental, ativo e contando com setenta e três anos de idade, esse tipo de morte súbita e fulminante, à época, tanto podia tratar-se de um acidente cardiovascular, como vascular-cerebral, ou, ainda, apoplexia ou catalepsia.

Seu testamento indica que, ao falecer, o Dr. Ricardo Gumbleton Daunt, encontrava-se em situação econômica quase análoga à de sua chegada ao país. A casa em que residia deveria passar diretamente aos herdeiros, uma vez que fora de sua falecida esposa, seus bens reduziam-se a quadros, livros, algumas ações da Companhia Mogyana, pouca prataria e móveis em geral, de onde foi tirada a legítima que coube a cada um de seus filhos vivos, que por então eram sete. Dois legados apenas no testamento, cento e oitenta mil réis destinados à celebração de sessenta missas, cinqüenta para as almas de todos aqueles que tinham sido seus escravos, e dez para sua própria alma; e um conto de réis para o “creoulo” Huberto, filho de Eva que fora sua escrava.

Há no testamento uma dívida confessa de oito contos e quinhentos mil réis, do Dr. Ricardo em relação a sua filha solteira D. Alice. O texto especifica que se trata de dívida e não de legado e justifica como pagamento pelos serviços prestados na administração da casa, desde a doença de sua mãe. D. Alice, que foi por ele designada para testamenteira, cumpriu escrupulosamente cada legado e saldou todas as dívidas; do montante remanescente, cada filho sobrevivente recebeu dois contos e quarenta e dois mil quinhentos e quarenta e nove réis, como legítima.

Morte súbita, o testamento indicava o desejo de um enterro simples... Mas não foi assim. Embora o documento fosse claro, a família despendeu a quantia de 1:678$800 (um conto e seiscentos e setenta e oito mil e oitocentos réis) com o serviço funerário, caixão, féretro, etc., etc. Considerando a simplicidade de seu inventário, essa quantia chama a atenção. Talvez seus filhos estivessem cônscios da importância do velho médico para a cidade e não quisessem de modo algum que o despojamento ostentado em sua última vontade fosse traduzido a olhares contemporâneos como miséria ou indiferença. Quem pode saber?

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS:

1 – JORGE, J. David. Campinas (Contribuição Histórica). Boletim do Departamento do Arquivo do Estado de São Paulo, São Paulo, 13: 63-143, 1954. pp.138-139.
2 – Edinburgh University Library. Special Collections. “1841 - Medical Examination Vol.1”. pp.1v-2.
3 – BOURROUL, Estevam Leão. O Dr. Ricardo Gumbleton Daunt: 1818-1893. Ensaio Biographico. São Paulo, Typ. a Vapor Espíndola, Siqueira & Comp., 1900.
4 – MOYA, Salvador de. Annuario Genealogico Brasileiro. 1o. anno. São Paulo, Revista dos Tribunaes, s.d.
5 – SACRAMENTO BLAKE, Augusto Victorino Alves. Diccionario Bibliographico Brazileiro. Rio de Janeiro, Imprensa Nacional, 1902. v7.
6 – O Livro de Ouro de Ricardo Gumbleton Daunt. 1818-1918. Primeiro Centenário de seu Nascimento. São Paulo, Officinas Graphicas Cardozo Filho & C., 1918.
7 – Vale a pena ressaltar que, ao batizar seus nove filhos, o Dr. Ricardo optou por essa grafia, sendo o Daunt retomado apenas por seus netos.
8 – BOURROUL, Estevam Leão. Op. cit. p.2.
9 – BOURROUL, Estevam Leão. Op. cit. p.3.
10 – BOURROUL, Estevam Leão. Op. cit. pp.4-5. Vide também Arquivo do IHGB, DL180.45 e DL677.2.
11 – BOURROUL, Estevam Leão. Op. cit. pp.13-15.
12 – O Livro de Ouro.... Op. cit. p.27.
13 – Arquivo do IHGB DL321..23 pp. 10-11-41-42.
14 – Arquivo do IHGB. DL.321-23, DL.581-26, DL.180-24.
15 – CMU/AH. TJC. 1O. Ofício. Caixa 181. Documento 3821.
16 – CMU/AH. TJC. 1.º Ofício. Caixa 307. Documento n.º 5939 e CMU/AH. TJC. 3.º Ofício. Caixa 387. Documento n.º 7673 e Caixa 535. Documento n.º 10631.
17 – CMU/AH. TJC. 1.º Ofício. Caixa 278. Documento n.º 5394.

*Anna Gicelle Garcia Alaniz: Professora Doutora em Ciências, na área de concentração de História Social, pela Universidade de São Paulo, hoje lecionando na FAM – Faculdade de Americana. Este texto foi elaborado a partir de uma síntese do capítulo III. DR. RICARDO: O HOMEM, parte integrante da tese = ALANIZ, Anna Gicelle Garcia. Dr. Ricardo Gumbleton Daunt: o homem, o médico e a cidade (Campinas, 1843-1893). Tese de doutoramento defendida na Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas. São Paulo, Universidade de São Paulo, 1999, páginas 74-127.

**Fotos por: Rubão Almeida - 2011 

Fonte: Sociedade Brasileira de História da Medicina

quinta-feira, 25 de agosto de 2011

Há 50 anos, Janio Quadros renunciava à presidência da República


por: Renato Cancian

A crise política

O governo de Jânio Quadros perdeu sua base de apoio político e social a partir do momento em que adotou uma política econômica austera e uma política externa independente. Na área econômica, o governo se deparou com uma crise financeira aguda devido a intensa inflação, déficit da balança comercial e crescimento da dívida externa. O governo adotou medidas drásticas, restringindo o crédito, congelando os salários e incentivando as exportações.

Mas foi na área da política externa que o presidente Jânio Quadros acirrou os animos da oposição ao seu governo. Jânio nomeou para o ministério das Relações Exteriores Afonso Arinos, que se encarregou de alterar radicalmente os rumos da política externa brasileira. O Brasil começou a se aproximar dos países socialistas. O governo brasileiro restabeleceu relações diplomáticas com a União Soviética (URSS).

As atitudes menores também tiveram grande impacto, como as condecorações oferecidas pessoalmente por Jânio ao guerrilheiro revolucionário Ernesto "Che" Guevara (condecorado com a Ordem do Cruzeiro do Sul) e ao cosmonáuta soviético Yuri Gagarin, além da vinda ao Brasil do ditador cubano Fidel Castro.

Independência e isolamento

De acordo com estudiosos do período, o presidente Jânio Quadros esperava que a política externa de seu governo se traduzisse na ampliação do mercado consumidor externo dos produtos brasileiros, por meio de acordos diplomáticos e comerciais.

Porém, a condução da política externa independente desagradou o governo norte-americano e, internamente, recebeu pesadas críticas do partido a que Jânio estava vinculado, a UDN, sofrendo também veemente oposição das elites conservadoras e dos militares.

Ao completar sete meses de mandato presidencial, o governo de Jânio Quadros ficou isolado politica e socialmente. Jânio Quadros renunciou a 25 de agosto de 1961.

Política teatral

Especula-se que a renúncia foi mais um dos atos espetaculares característicos do estilo de Jânio. Com ela, o presidente petenderia causar uma grande comoção popular, e o Congresso seria forçado a pedir seu retorno ao governo, o que lhe daria grandes poderes sobre o Legislativo. Não foi o que aconteceu, porém. A renúncia foi aceita e a população se manteve indiferente.

Vale lembrar que as atitudes teatrais eram usadas politicamente por Jânio antes mesmo de chegar à presidência. Em comícios, ele jogava pó sobre os ombros para simular caspa, de modo a parecer um "homem do povo". Também tirava do bolso sanduíches de mortadela e os comia em público. No poder, proibiu as brigas de galo e o uso de lança-perfume, criando polêmicas com questões menores, que o mantinham sempre em evidência, como um presidente preocupado com o dia-a-dia do brasileiro.

* Renato Cancian é cientista social, mestre em sociologia-política e doutorando em ciências sociais, é autor do livro "Comissão Justiça e Paz de São Paulo: Gênese e Atuação Política -1972-1985".

Fonte: UOL

domingo, 3 de julho de 2011

Quatro décadas sem Jim Morrison


Javier Albisu

Paris, 2 jul (EFE) - Quatro décadas após sua morte em Paris, aos 27 anos, o magnetismo do mistério segue em torno da figura de Jim Morrison, o poeta que liderou o The Doors e que se tornou um ícone de uma geração.

O rastro dos últimos passos de Morrison - que morreu com a mesma idade de Jimi Hendrix, Janis Joplin, Brian Jones e Kurt Cobain - deixou Paris repleta de lugares venerados por fãs incondicionais a cada 3 de julho. [...]

Porém, existem outros pontos da Cidade Luz que zelam pela memória do rapaz tímido e excêntrico que levou às rádios de todo o mundo o rock psicodélico de temas como "The End", "Break On Through" ou "Touch Me".

Protegidos por uma cerca metálica na divisão 6 do cemitério Père-Lachaise, os restos mortais de James Douglas Morrison (1943-1971) jazem sob uma lápide que nunca fica sem flores e onde um epitáfio reza: "Kata ton daimona eaytoy" (Fiel a seu próprio espírito).

Lá se reúnem adeptos, que frequentemente declamam poemas, tiram fotografias ou colocam garrafas de bourbon junto à célebre lápide, muito mais frequentada que as do escritor Oscar Wilde, a soprano Maria Callas ou do compositor Frédéric Chopin, que ficam próximas. [...]

Um dos maiores marcos relacionados a Morrison em Paris é o número 17 da rue de Beautreillis, um imóvel haussmaniano de cinco andares próximo à Praça dos Vosgos.

Trata-se do último lugar onde ele viveu durante seus quatro meses de residência na cidade, e onde foi declarado morto por parada cardíaca, embora seu corpo nunca tenha passado por necrópsia, o que gerou inúmeras teorias sobre sua morte.

Sam Bernet, autor de vários livros sobre o The Doors e proprietário do extinto clube Rock'n Roll Circus, sustenta que Morrison faleceu em seu bar, e que ele mesmo foi um dos que o levaram da discoteca até sua casa.

"Eu estava entre as três pessoas que o encontraram morto nos fundos da discoteca", afirmou Bernet, que garantiu que um cliente e um médico "constataram a morte por overdose" de heroína.

Há também quem suspeite que Morrison nunca morreu, e os que acham que seu pai, um militar, tirou seu corpo do sepulcro parisiense e o repatriou aos Estados Unidos clandestinamente. [...]

"O Rei Lagarto" chegou em Paris em março de 1971 acima do peso e alcoolatra, para se concentrar em sua poesia. Era um Morrison distante do jovem sensual e provocador que pouco tempo antes se destacava nos palcos com suas improvisações. [...]

Um ano antes de chegar à França, Morrison tinha sido condenado por conduta lasciva e libidinosa durante um show em Miami, embora tenha evitado a prisão com apelações e após pagar fiança de US$ 50 mil.

O universo do rock havia sofrido na época um duro abalo com as mortes quase consecutivas de Jimi Hendrix e de Janis Joplin, e "Jimbo" se refugiou em Paris com sua namorada Pamela Courson, que pouco depois o encontraria morto em sua banheira. [...]

Fonte: Uol

quarta-feira, 11 de maio de 2011

Bob Marley, o reggaeman que partiu há 30 anos


A primeira vez que eu ouví uma música do Bob Marley, eu tinha por volta de 7 anos de idade, era a grande versão de No Woman no cry, gravada por Gilberto Gil, em 1979. De lá pra cá, o interesse na música de Bob Marley só aumentou.

Infelizmente, há 30 anos, o mestre do reggae fazia sua última participação neste mundo dos vivos. Já bastante debilitado, devido a um câncer, diagnosticado em seu dedo do pé, que por conta de suas opções religiosas, não foi amputado e isso fez com que a doença se espalhasse pelo seu corpo.

Pouco antes de sua morte, Bob Marley foi premiado com a Ordem ao Mérito Jamaicana. Ele queria passar seus últimos dias em sua terra natal, mas, seu estado de saúde piorou durante o vôo de volta da Alemanha e Marley foi internado em Miami. Ele faleceu no hospital Cedars of Lebanon no dia 11 de maio de 1981 em Miami, Flórida, aos 36 anos.

Seu funeral na Jamaica foi uma cerimônia digna de chefes de estado, com elementos combinados da Igreja Ortodoxa da Etiópia e do Rastafari. Ele foi sepultado em uma capela em Nine Mile, perto de sua cidade natal, junto com sua guitarra favorita, uma Fender Stratocaster vermelha.

"Saudade é um sentimento que quando não cabe no coração, escorre pelos olhos." - Bob Marley

Abaixo uma das diversas pérolas deixadas pelo Bob Marley.

sexta-feira, 22 de abril de 2011

Sabe com quem você está falando?


Palestra do professor Mário Sérgio Cortella, no Banco do Brasil. Uma pequena explanação para nos fazer pensar um pouco sobre a nossa real importância, dentro de um contexto cosmológico.

quarta-feira, 20 de abril de 2011

Sepultura e Orquestra Experimental

Sepultura ao vivo, na Virada Cultural, em São Paulo, 16 de abril, tocando a música Roots Bloody Roots juntamente com a Orquestra Experimental.

sexta-feira, 15 de abril de 2011

Há 10 anos, morria Joey Ramone


Há exatos 10 anos, no dia 15 de abril de 2001, morria aos 49 anos de idade, Jeffrey Hyman, que escreveu seu nome na história da música como Joey Ramone. Nascido no Queens, em Nova York, Joey fundou os Ramones, juntamente com Johnny, Dee-Dee e Tommy, em 1974.

No início, Joey tocava bateria, mas, após o primeiro show da banda, ele assumiu os vocais e a partir daí, sua voz marcou os maiores sucessos dos Ramones, que influenciaram bandas como Sex Pistols, The Clash, Green Day e todos os que se rotularam como punks.

Joey Ramone morreu vítima de um linfoma, no Presbyterian Hospital, em NY, após cerca de 4 anos de luta contra a doença. Após a sua morte, foi lançado o álbum Don't worry about me, em 2002, que incluía a regravação da música What a wonderful world.

Os Ramones, vieram ao Brasil, fazer shows em cinco oportunidades, mas, os shows mais marcantes, sem dúvida alguma, foram os shows ocorridos em 1987 e o mais conturbado, em 1991, no Dama Xoc, em São Paulo, onde uma pessoa foi esfaqueada. Abaixo, um vídeo deste show, que ainda teve a abertura do Ratos de Porão e se procurar direito, é capaz de me encontrar espremido na frente do palco.

Joey R.I.P!!!