Excelente aula de História do Brasil, com o professor Boris Fausto, desde a chegada dos portugueses até o governo do presidente Lula, eleito pelo voto direto, em 2002. Este documentário aborda de maneira bastante didática vários fatos que contribuíram para a formação da nação brasileira, em seus pouco mais de 500 anos de existência.
domingo, 19 de fevereiro de 2012
A História do Brasil
Excelente aula de História do Brasil, com o professor Boris Fausto, desde a chegada dos portugueses até o governo do presidente Lula, eleito pelo voto direto, em 2002. Este documentário aborda de maneira bastante didática vários fatos que contribuíram para a formação da nação brasileira, em seus pouco mais de 500 anos de existência.
segunda-feira, 14 de março de 2011
De Deodoro a Dilma: especial do Estadão
sábado, 8 de janeiro de 2011
Tumores pré-históricos colocam em debate o peso da vida moderna no câncer
The New York Times
Mas para os paleopatologistas - estudiosos das doenças antigas -, o tesouro mais rico era a abundância de tumores em praticamente todos os ossos do corpo masculino. O diagnóstico: o caso de câncer na próstata mais antigo de que se tem notícia.
A próstata em si já havia se desintegrado há muito tempo. Porém, células malignas da glândula haviam migrado seguindo um padrão familiar, deixando cicatrizes identificáveis. Proteínas extraídas do osso testaram positivo para PSA (sigla em inglês para antígeno prostático específico).
Frequentemente considerado uma doença moderna, o câncer sempre esteve conosco. Onde os cientistas discordam é sobre o quanto ele foi amplificado pelos doces e amargos frutos da civilização. Ao longo das décadas, arqueólogos descobriram cerca de 200 casos possíveis de câncer datando de tempos pré-históricos. No entanto, considerando-se as dificuldades de extrair estatísticas de ossos antigos, isso significa pouco ou muito?
Um recente relatório de dois egiptólogos, publicado na revista "Nature Reviews: Cancer", revisou a literatura, concluindo que existe uma "arrebatadora raridade de perversidades" em antigos restos mortais humanos.
"A raridade do câncer na antiguidade sugere que tais fatores se limitam a sociedades que são afetadas por questões da vida moderna, como o uso do tabaco e a poluição industrial", escreveram os autores, A. Rosalie David, da Universidade de Manchester, e Michael R. Zimmerman, da Universidade Villanova. Também entram na lista obesidade, hábitos alimentares, práticas sexuais e reprodutivas, e outros fatores frequentemente alterados pela civilização.
Na internet, relatos da mídia fizeram a questão soar inequívoca: "O câncer é uma doença criada pelo homem"; "A cura para o câncer: viver como nos velhos tempos". Mesmo assim, muitos especialistas médicos e arqueólogos não ficaram tão impressionados.
Expectativa de vida
"Não existem razões para achar que o câncer é uma doença nova", disse Robert A. Weinberg, um pesquisador de câncer do Instituto Whitehead de Pesquisa Biomédica, em Cambridge, Massachusetts, e autor do livro didático "A Biologia do Câncer". "Em tempos passados, a doença era menos comum porque as pessoas acabavam morrendo cedo, por outros motivos".
Outra consideração, segundo ele, é a revolução na tecnologia médica: "Hoje, nós diagnosticamos muitos cânceres - de mama e de próstata - que, em épocas passadas, teriam passado despercebidos e sido levados ao túmulo quando a pessoa morresse de outras causas, não relacionadas".
Mesmo com tudo isso sendo contabilizado, existe um problema fundamental em estimar a ocorrência de câncer na antiguidade. Duzentos casos podem não parecer muito. Mas a escassez de evidências não é uma prova de escassez. Tumores podem permanecer ocultos dentro dos ossos, e aqueles que fazem seu caminho para fora podem fazer com que o osso se desintegre e desapareça. Mesmo com todos os esforços dos arqueólogos, somente uma fração da pilha de ossos humanos foi coletada, sendo impossível saber o que permanece escondido por baixo.
Anne L. Grauer, presidente da Associação de Paleopatologia e antropóloga da Universidade Loyola de Chicago, estima que existam cerca de 100 mil esqueletos nas coleções osteológicas do mundo todo, e uma grande maioria não foi examinada por raios-X ou estudada com técnicas mais modernas.
Segundo uma análise da Agência de Referência da População, o total acumulado de todos que viveram e morreram até o ano 1 d.C. já se aproximava de 50 bilhões, e havia quase dobrado em 1750 (essa análise refuta a comum afirmação de que haveria mais pessoas vivas hoje do que o total que já viveu na terra). Se essa conta se confirmar, o número de esqueletos no banco de dados arqueológico mal representaria um décimo milésimo de 1 por cento do total.
Nessa minúscula amostra, nem todos os restos mortais estão completos. "Por um bom tempo, os arqueólogos só coletaram crânios", afirmou Heather J.H. Edgar, curadora de osteologia humana do Museu Maxwell de Antropologia da Universidade do Novo México. "Para a maioria, não há como saber o que o resto dos esqueletos poderia dizer sobre a saúde daquelas pessoas".
Então como os cientistas podem avaliar, por exemplo, a importância dos poucos exemplos fossilizados de osteossarcoma, um raro câncer nos ossos que afeta principalmente pessoas jovens? O caso mais antigo foi provavelmente encontrado em 1932, pelo antropólogo Louis Leakey, num parente pré-histórico do homem. Hoje, a incidência anual de osteossarcoma entre jovens com menos de 20 anos é de aproximadamente cinco casos a cada 1 milhão de pessoas.
"Seria preciso examinar dez mil indivíduos para encontrar um caso", disse Mel Greaves, professor de biologia celular no Instituto de Pesquisa do Câncer, na Inglaterra, e autor de "Cancer: The Evolutionary Legacy" (Câncer: O legado evolutivo, em tradução livre). Ainda não foi examinado um número suficiente de restos mortais adolescentes, disse ele, para chegar a uma conclusão significativa.
Existem mais complicações: mais de 99% dos casos de câncer se originam não nos ossos, mas em órgãos mais macios, que entram rapidamente em declínio. A menos que o câncer se espalhe para os ossos, ele provavelmente não será registrado.
Múmias
Teoricamente, as múmias antigas seriam uma exceção. Porém, também aqui as descobertas foram poucas.
Apenas em raras ocasiões os patologistas conseguem colocar as mãos numa múmia comparativamente recente, como Ferrante 1º de Aragon, rei de Nápoles, morto em 1494. Quando seu corpo foi autopsiado, cinco séculos depois, descobriram que um adenocarcinoma, que começa em tecidos glandulares, havia se espalhado aos músculos da bacia.
Um estudo molecular revelou um erro tipográfico num gene que regula a divisão celular - um G havia se tornado um A -, o que sugeria câncer colorretal. A causa, segundo os autores, poderia ser um consumo exagerado de carne vermelha.
Ao longo dos anos, centenas de múmias egípcias e sulamericanas geraram alguns outros casos. Um raro tumor, chamado rabdomiosarcoma, foi encontrado no rosto de uma criança chilena que viveu em algum ponto entre 300 e 600 d.C.
Zimmerman, coautor da recente revisão, descobriu um carcinoma retal numa múmia do período entre 200 e 400 d.C., e ele confirmou o diagnóstico com uma análise microscópica do tecido - a primeira, segundo ele, na paleopatologia egípcia.
"A verdade é que o número de múmias e esqueletos realmente antigos com evidências de câncer é insignificante", explicou ele. "Simplesmente não conseguimos encontrar nada como a incidência moderna de câncer".
Embora a expectativa de vida média fosse menor no Egito antigo do que atualmente, Zimmerman afirma que muitos indivíduos, especialmente os ricos, viviam tempo o bastante para contrair outras doenças degenerativas. Sendo assim, por que não o câncer?
Outros especialistas sugeriram que a maioria dos tumores teria sido destruída pelos invasivos rituais da mumificação egípcia. Porém, num estudo publicado em 1977, Zimmerman mostrou que era possível as evidências sobreviverem.
Em um experimento, ele coletou o fígado de um paciente moderno que havia sucumbido ao câncer metastático no cólon, o secou num forno e em seguida o reidratou - demonstrando, segundo ele, que "as características do câncer são bem preservadas pela mumificação, e que tumores mumificados ficam, na realidade, mais bem preservados que o tecido comum".
Esqueletos
Quanto aos esqueletos, porém, o problema permanece: considerando-se o tamanho reduzido da amostra, exatamente quanto de câncer os cientistas deveriam esperar encontrar?
Para se ter uma ideia por alto, Tony Waldron, paleopatologista da University College London, analisou relatos de mortalidade humana de 1901 a 1905 - período recente o bastante para garantir registros razoavelmente bons, e antigo o bastante para evitar contaminar os dados com, por exemplo, o pico do câncer de pulmão nas últimas décadas devido à popularidade do cigarro.
Contabilizando variações na expectativa de vida e a probabilidade de diferentes males se espalharem aos ossos, ele estimou que, numa "montagem arqueológica", o câncer poderia ser esperado em menos de 2% dos esqueletos masculinos, e entre 4 e 7% dos esqueletos femininos.
Andreas G. Nerlich e colegas, em Munique, testaram a previsão em 905 esqueletos de duas necrópoles egípcias da antiguidade. Com a ajuda de raios-X e exames de tomografia computadorizada, eles diagnosticaram cinco cânceres - número compatível com as expectativas de Waldron. E, conforme previam suas estatísticas, 13 cânceres foram encontrados em 2.547 restos mortais enterrados num ossário do sul da Alemanha entre 1400 e 1800 d.C.
Para ambos os grupos, segundo os autores, os tumores malignos "não apareceram numa quantidade significativamente menor que a esperada", em comparação com a Inglaterra do início do século 20. Eles concluíram que "a atual elevação da frequência de tumores nas populações presentes está muito mais relacionada ao aumento da expectativa de vida do que a fatores básicos ambientais ou genéticos".
Com tão pouco material para prosseguir, a arqueologia pode nunca obter uma resposta definitiva. "Podemos dizer que o câncer certamente existia, e provavelmente numa frequência menor do que a atual", disse Arthur C. Aufderheide, professor emérito de patologia na Universidade de Minnesota e co-autor da Enciclopédia de Paleopatologia de Cambridge. Esse pode ser o máximo de certeza que jamais teremos.
Conforme os cientistas continuam investigando, pode haver algum consolo em saber que o câncer não é inteiramente culpa da civilização. No curso natural da vida, as células de uma criatura precisam estar constantemente se dividindo - milhões de vezes por segundo. Algumas vezes, algo sairá errado.
"Quando você cria complexos organismos multicelulares e permite que células individuais proliferem, o câncer se torna uma inevitabilidade", disse Weinberg, do Instituto Whitehead. "Ele é simplesmente uma consequência da crescente entropia, crescente desordem".
Ele não estava sendo fatalista. Ao longo das gerações, os corpos criaram barreiras formidáveis para manter células rebeldes na linha. Parar de fumar, perder peso, comer alimentos saudáveis e tomar outras medidas preventivas pode adiar o câncer por décadas. Até morrermos de outra coisa.
"Se vivêssemos por tempo suficiente", observou Weinberg, "mais cedo ou mais tarde todos nós teríamos câncer".
quinta-feira, 16 de dezembro de 2010
Cientistas identificam cabeça embalsamada como sendo de rei francês
A identificação foi feita usando retratos do reiBBC Brasil
A cabeça foi perdida depois que a capela real de Saint Denis, nos arredores de Paris, foi saqueada durante a Revolução Francesa em 1793. Desde então, ela circula entre colecionadores.
A equipe, que reuniu pesquisadores de diversas áreas, identificou as feições do rei com base em retratos da época, usando as mais recentes técnicas forenses.
Uma lesão perto do seu nariz, a orelha furada e um ferimento na face de uma tentativa de assassinato anterior foram algumas das marcas identificadas.
A descoberta foi anunciada na publicação especializada British Medical Journal.
Conservação
Segundo os cientistas, as técnicas usadas no embalsamento da cabeça são condizentes com a época em que Henrique 4º viveu.
No entanto, não foi possível usar o teste de DNA na análise, já que não havia amostras livres de contaminação.
A equipe, liderada pelo patologista forense e arqueólogo Philippe Charlier, disse que a cabeça tinha "cor marrom clara, a boca aberta e olhos parcialmente fechados".
A análise dos pesquisadores mostrou que a cabeça estava bem preservada, com todos os tecidos frágeis e órgãos internos conservados.
O rei Henrique 4º era um dos favoritos da França. Ele se converteu ao catolicismo para acabar com a guerra religiosa no país, mas foi morto por um católico fundamentalista.
Henrique foi o primeiro monarca da casa dos Bourbon, que inclui seu neto Luís 14, o rei Sol.
Sua cabeça será enterrada novamente na Basílica de Saint Denis no próximo ano, após uma missa nacional e um funeral.
quinta-feira, 20 de maio de 2010
Nicolau Copérnico será enterrado 467 anos após morrer
O astrônomo Nicolau Copérnico (1473-1543), considerado o pai da astronomia moderna, será enterrado novamente no sábado, em Frombork, na Polônia.
Copérnico tinha sido enterrado em uma igreja de Frombork, mas, sem identificação. Sua teoria só foi publicada no final de sua vida e influenciou outros cientistas, como Isaac Newton e mudou os rumos dos dogmas religiosos.
Fonte: Terra
domingo, 28 de fevereiro de 2010
Arqueólogos encontram antigos poços funerários no norte do Amapá
Dennis Barbosa Do Globo Amazônia, em São Paulo
Uma equipe de arqueólogos descobriu dois poços funerários com vasos de cerâmica num sítio em Calçoene, no norte do Amapá. O local já era conhecido desde 2006 por causa de círculos de pedra que foram encontrados sobre o solo.
Agora, no entanto, o grupo liderado por João Saldanha e Mariana Cabral, do Instituto de Pesquisas Científicas e Tecnológicas do Amapá (Iepa) explorou o que havia sob as grandes placas rochosas depositadas no local.
Saldanha explica que os poços têm cerca de mil anos e que os vasos encontrados são surpreendentes porque têm formas humanas, como as cerâmicas encontradas pelo célebre pesquisador Emílio Goeldi no século XIX na região do Cunani.
O povo que cavou os poços tinha por hábito descarnar e separar os ossos de seus mortos, colocando-os em grupos separados nas urnas funerárias acomodadas em câmaras laterais ao buraco principal no solo. Os círculos de grandes pedras sobre o solo caracterizam que o local tinha função religiosa.

Urnas tem formas humanas como olhos, bocas e nariz
Fonte: Globo.com
sexta-feira, 12 de fevereiro de 2010
Pattie Maes apresenta o "Sexto Sentido", uma tecnologia de vestuário que muda tudo
quinta-feira, 17 de dezembro de 2009
Clima em debate
Parte 1
quinta-feira, 3 de dezembro de 2009
Entrevista com a Drª Rauni Kilde, falando sobre gripe suína
Muita gente diz que ela é uma pessoa delirante que fala de OVNI's e outras coisas sem sentido, após ter sofrido um acidente de carro. Mas, o fato, é que ela faz uma reflexão sobre um tema que precisa ser debatido com um mínimo de seriedade. Além disso, é possível encontrar uma boa quantidade de vídeos, blogs e sites espalhados pela internet, que abordam essa questão envolvendo dinheiro, medo, laboratórios, governos, gripe suína e conspirações. Enfim, vejam esta parte da entrevista, com legendas em português, e tirem suas próprias conclusões.
segunda-feira, 5 de outubro de 2009
Arqueólogos acham objetos do século 19 na cracolândia
24/09/2009 - 09h21
RICARDO WESTIN
da Folha de S.Paulo
Um grupo de arqueólogos descobriu 2.344 utensílios domésticos do século 19 soterrados em plena cracolândia, a área mais degradada do centro de São Paulo.
Foram encontrados pratos, xícaras, moringas, vasos, potes e até penicos, entre muitos outros objetos, feitos de materiais como porcelana, cerâmica, louça e vidro e que ajudam a contar a história da cidade. A maior parte está despedaçada e será reconstruída.
| Divulgação |
| Fragmentos de pratos de decoração do século 19 que foram encontrados no local, em uma área de 7.000 metros quadrados |
"Foi uma grande surpresa. Normalmente não passa pela cabeça de um arqueólogo encontrar tantos vestígios tão bem preservados numa cidade como São Paulo", afirma Paulo Bava Camargo, do grupo Zanettini Arqueologia.
Localizada no meio de uma região onde hoje vagueiam viciados em crack --daí o apelido cracolândia--, a quadra em questão é delimitada pelas ruas Timbiras, Andradas, Aurora e General Couto de Magalhães e tem 7.000 metros quadrados. No local funcionou um estacionamento até o ano passado, quando o quarteirão foi desapropriado pelo Estado.
Ali serão erguidas uma escola técnica e a nova sede do Centro Paula Souza (entidade responsável pelas escolas técnicas e pelas faculdades de tecnologia estaduais). O governo de São Paulo quer os edifícios prontos até o fim do ano que vem.
Por exigência da legislação, o Centro Paula Souza teve de realizar uma avaliação arqueológica no terreno. Os arqueólogos foram à cracolândia em junho passado e viram vestígios de 150 anos atrás brotar logo nas primeiras escavações.
20 réis
Entre os achados há objetos nacionais e importados. Alguns são finos, cuidadosamente pintados a mão. Outros são rústicos e até mesmo defeituosos. Isso sugere que naquela quadra conviviam ricos e pobres.
"No final do século 19, São Paulo estava dividida. Havia os Campos Elíseos e a República, áreas de ocupação mais nobre, e o Bom Retiro, onde viviam os imigrantes, os trabalhadores. Era no meio delas que se dava o encontro [das classes sociais]", explica Bava Camargo.
Essa região era o coração de São Paulo. A poucos passos estão as estações ferroviárias da Luz e Júlio Prestes, construídas justamente naquela época.
No quarteirão escavado também foram encontradas pás, machadinhas, ferraduras e moedas -uma é de 20 réis, em cobre, e circulou entre 1868 e 1871. Isso mostra que, além de residencial, a área também tinha comércio. Os arqueólogos creem na existência, por exemplo, de uma estrebaria.
Segundo o arqueólogo Bava Camargo, o fato de não haver um sistema organizado de coleta do lixo -São Paulo só contou com esse serviço na virada para o século 20, em resposta a uma epidemia de febre amarela-, as famílias enterravam ou simplesmente atiravam os entulhos no quintal de casa.
O Iphan (Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional) analisará o relatório redigido pelos arqueólogos para decidir o destino dos objetos históricos. Paulo Zanettini, o líder do grupo que fez as escavações, gostaria de vê-los expostos na própria região da Luz.
"Descobertas desse tipo mostram que o passado de São Paulo é muito mais rico do que se imagina", diz Bava Camargo.
Fonte: Folha Online
terça-feira, 25 de agosto de 2009
A utopia tecnológica: uma quase realidade. Entrevista especial com Luli Radfahrer

Luli Radfahrer é um dos principais pesquisadores brasileiros na área de comunicação digital. Ele conversou com a IHU On-Line, por e-mail, sobre um conceito/tecnologia que vem mudando de forma significativa o mundo: a computação em nuvem (cloud computing), que consiste em compartilhar ferramentas computacionais pela interligação dos sistemas. “Ela só tornou o conceito viável comercialmente por ter sido uma empresa que surgiu após o “estouro da bolha”, e, nessas condições, pode contar com uma situação única: excelentes profissionais a baixo custo, computadores ociosos e muitos cabos de banda larga espalhados pelo mundo. O futuro da Internet, com ou sem Google, é uma interconexão cada vez maior de produtos e serviços”, explicou Luli.
Luiz Guilherme de Carvalho Antunes, conhecido como Luli Radfahrer, é graduado em Tecnologia em Processamento de dados pela Universidade Presbiteriana Mackenzie. Também é graduado em Publicidade e Propaganda pela Universidade de São Paulo, onde cursou o mestrado e doutorado em Ciências da Comunicação. Nesta mesma universidade, é, atualmente, professor e realiza uma pesquisa em torno do tema Comunicação Digital e Redes Interativas. Entre suas obras, destacamos O Fim da Idade mídia (São Paulo: ed. São Paulo, 2009).
Confira a entrevista.
IHU On-Line – O mundo dispõe cada dia mais da capacidade de armazenamento de dados. De que maneira isso muda a nossa forma de nos comportarmos na Internet em relação aos "arquivos da nossa vida"?
Luli Radfahrer – Em princípio, em nada. A idéia de "armazenar" as coisas – de livros a fotografias – vem de nossa relação com o conteúdo e a informação, que sempre foi escassa. Havia poucas imagens, pouca informação, por isso era preciso guardá-la seguramente em casa. À medida que a conexão se torna permanente, e o conteúdo mais abundante – e o mesmo acontece com nossas fotografias e até programas de rádio - armazená-lo não justifica sua redundância. Acredito sinceramente que a computação em nuvem tenha vindo para ficar e que daqui a alguns anos riremos do fato de termos que carregar HDs (discos rígidos) tão grandes.
IHU On-Line – O uso da Internet como computação em nuvem (cloud computing) traz, em sua opinião, que tipo de visões e conceitos sobre computadores, softwares e arquivos?
Luli Radfahrer – Tanto aqueles que disse anteriormente quanto mais uma série de outros que surgirão a partir do instante que pudermos compartilhar a capacidade de processamento de nossas máquinas (que passam a maior parte do tempo ociosas) para a geração de serviços muito mais sofisticados, que demandem computação intensa, inimaginável para os padrões de hoje. Há 1,5 bilhões de computadores conectados à Internet hoje. Cada um deles é uma “maquininha” ociosa e isolada. Imagine que maravilha quando todos puderem compartilhar forças?
IHU On-Line – Esse conceito de computação em nuvem vem muito do trabalho do Google. Para você, qual o futuro da Internet, segundo o Google?
Luli Radfahrer – Computação em nuvem é um conceito muito anterior à existência do Google. Ela só tornou o conceito viável comercialmente por ter sido uma empresa que surgiu após o “estouro da bolha”, e, nessas condições, pode contar com uma situação única: excelentes profissionais a baixo custo, computadores ociosos e muitos cabos de banda larga espalhados pelo mundo. O futuro da Internet, com ou sem Google, é uma interconexão cada vez maior de produtos e serviços. A web semântica [1] é um desses exemplos, ao conectar bases de dados e não mais "páginas" mortas. A computação física é outra, ao relacionar essas bases a informações ambientais. Inteligência artificial e compartilhamento ainda estão em sua infância, o mesmo pode ser dito da comunicação pessoal, que hoje é representada por essas próteses que mal reconhecem voz e que chamamos de celulares.
Em resumo, há muito espaço para a inovação na Internet, fora da web e, naturalmente, do Google.
IHU On-Line – Essa lógica da "vida na Internet" muda de que forma a nossa presença no mundo digital?
Luli Radfahrer – Acredito sinceramente que tecnologias quando chegam a uma maturidade se tornam transparentes. Foi assim com luz, água, saneamento, lixo. Hoje, a Internet se torna transparente e, em breve, não falaremos mais nela. Ela será, simplesmente, vivida. On=off e o mundo "analógico" tenderá a ser visto como uma excentricidade.
IHU On-Line – Certa vez, ao comentar sobre mobilidade, o senhor sugeriu que parássemos de pensar apenas na Internet no celular. No futuro, onde mais a Internet, quando falamos em mobilidade, precisa e vai estar?
Luli Radfahrer – Em roupas que troquem de textura quando esfria ou de cor de acordo com o ambiente. Em carros, que saberão os melhores caminhos e formas de poupar combustível. Em janelas, que podem se transformar em coletores solares. E assim por diante...
IHU On-Line – As possibilidades que a computação em nuvem nos traz também mudarão (ou já estão mudando) a nossa presença e nossos usos nas redes sociais?
Luli Radfahrer – Sim. Os metaversos – dos quais o Second Life [2] foi um rascunho infeliz, mas que o The Sims [3] e o Warcraft [4] são exemplos robustos – tendem a ser as novas redes sociais. Elas podem estar em mundos-espelho, que reflitam as características de hoje, ou em ambientes completamente fantásticos e complexos. A revolução mal começou, ainda estamos no prefácio.
Notas:
[1] A web semântica é uma extensão da Web Actual, que permitirá aos computadores e humanos trabalharem em cooperação. Ela interliga significados de palavras e, neste âmbito, tem como finalidade conseguir atribuir um significado (sentido) aos conteúdos publicados na Internet de modo que seja perceptível tanto pelo humano como pelo computador.
[2] O Second Life é um ambiente virtual e tridimensional que simula, em alguns aspectos, a vida real e social do ser humano. Foi criado em 1999 e desenvolvido em 2003 e é mantido pela empresa Linden Lab. O número de usuários (residentes) conectados ao Second Life gira em torno de 60.000, com alguns picos acima de 70.000 nos fins de semana. A Revista IHU On-Line, no. 226, 02-07-2007, publicou uma edição sobre o tema, intitulada Second Life: uma fábrica de sonhos e desejos.
[3] The Sims é uma série de jogos eletrônicos de simulação de vida, criado pelo designer de Jogos Will Wright. Foi lançado em 2000. São jogos onde se podem criar e controlar as vidas de pessoas virtuais (chamadas de Sims).
[4] O Universo Warcraft é um universo ficcional, descrito por uma série de jogos e livros publicados pela Blizzard Entertainment e foi apresentado inicialmente pelo jogo Warcraft:Orcs & Humans no ano de 1994.
sábado, 22 de agosto de 2009
Pesquisa comprova que músicos ouvem melhor
Depois de anos de sua mãe dizendo para desligar a música e proteger seus ouvidos, finalmente há uma evidência científica, de que a música pode ser boa para a sua audição.Nova pesquisa revela que os músicos podem pegar os sons da fala de maneira muito mais relevante em um ambiente barulhento muito melhor do que não-músicos, o que sugere que o treinamento musical ajuda pessoas a ouvir melhor em condições como um restaurante ou uma sala cheia de gente.
"Ouvir em ambientes barulhentos é um desafio para todos, mas é um desafio especial para os idosos e as crianças com dificuldades de aprendizagem", disse Nina Kraus, neurocientista da Universidade Northwestern, e co-autora do trabalho publicado este mês na revista Ear And Hearing. "Se pudermos criar uma experiência musical que possa ajudar a percepção da fala em ruído, isso tudo criará provocações implicativas em termos de encorajar políticas e famílias a darem educação musical para suas crianças".
Kraus e colaboradores compararam o desempenho de 16 músicos e 15 não-músicos em dois testes de percepção de fala em ambientes com ruído. Nos dois experimentos, os participantes tiveram que escutar frases simples em condições barulhentas e repetir o que ouviram. Ao ajustar o nível do ruído de fundo e contando o número de palavras corretamente repetidas ou sentenças, os pesquisadores calcularam um nível de escuta para cada pessoa.
Em dois testes, os músicos superaram os não-músicos e também mostraram melhor trabalho de memória. "A extensão da experiência musical também importava", disse Kraus. "Quanto mais cedo você começar e mais anos estiver praticando, melhor será sua percepção em ambientes barulhentos".
Pesquisas anteriores sobre os efeitos do treinamento musical no cérebro sugerem que a música melhora as regiões do cérebro responsáveis pela codificação e processamento de som, inclusive em áreas do cortex cerebral e o tronco encefálico. Treinar o cérebro a ouvir e compreender a música também melhora a capacidade de ouvir e entender a fala, disse Kraus, e faz sentido que os efeitos sejam particularmente percebidos em condições com ruído de fundo elevado.
"Você tem uma orquestra ou uma banda, e você está tentando ouvir o som do seu próprio instrumento, ou tentando tirar uma melodia ou linha de baixo", disse Kraus. "Há uma analogia em ouvir conversas em ambiente com ruído, onde o que você está tentando fazer é retirar um sinal - a voz do narrador - a partir dos muitos sons que estão acontecendo ao seu redor."
Até agora, os pesquisadores observaram somente jovens com audição normal, e os músicos que participaram da pesquisa, todos tinham começado o estudo musical antes dos 7 anos e tinham tocado de forma consistente, por pelo menos, 10 anos.
"Com base neste estudo, não fica claro se os indivíduos que adquirem habilidades musicais mais tarde na vida, também mostram maior capacidade de percepção de conversa em ambiente barulhento", disse o neurocientista Tony Shahin, da Ohio State University, que não estava envolvido no estudo. Os benefícios da aquisição de habilidades de audição musical podem depender de idades com períodos mais sensíveis, disse ele, e determinar a idade de corte exigiria novas pesquisas.
Os pesquisadores pretendem começar esses tipos de estudos apenas em um futuro próximo. Kraus quer descobrir o quanto a formação musical é necessária para obter um benefício de audição, bem como se diferentes instrumentos fornecem diferentes tipos de vantagens. "Meu palpite é que os efeitos são muito generalizados através dos instrumentos", disse ela, "mas pode ser que alguns aspectos sejam reforçados em músicos de um determinado instrumento."
Kraus espera que as experiências futuras demonstrem, que mesmo pequenas quantidades de formação musical podem proporcionar um benefício para os adultos que têm problemas de audição em condições clamorosas.
"Os adultos mais velhos realmente devem fazer a experiência da dificuldade de ouvir a fala em ambiente barulhento, antes que haja uma perda auditiva", disse Kraus, "muitas vezes, dizendo: 'Eu posso ouvi-lo, mas eu não consigo entender o que está dizendo.' Não seria bom se pudéssemos realmente estabelecer que a formação musical, pode ajudar a proteger os adultos mais velhos contra os efeitos deletérios que parecem acompanhar o envelhecimento?"
Tradução livre: Rubão Almeida
Fonte desta matéria: Wired Science




