terça-feira, 24 de maio de 2016

Como fazer dinheiro com a internet?

Muitas pessoas se perguntam, como obter uma graninha extra com a internet? Foi assim que eu comecei a pesquisar e cheguei aos chamados sites PTC, ou Pay-to-click. Em uma tradução livre, é uma espécie de site que te paga para clicar em propagandas de anunciantes.

Em um primeiro momento, eu fiquei com aquelas "pulguinhas" atrás da orelha, que todo mundo sempre fica quando falamos em dinheiro fácil. É óbvio que esse dinheiro não é tão fácil assim, mas pode ser uma renda extra e, melhor de tudo, pago em Dólares ou Euros. 

Enfim, se você procura uma complementação para a sua renda, essa pode ser uma boa alternativa, pois aquele tempinho ocioso em frente à tela do computador, pode ser muito mais lucrativo do que você pensa. Pesquise, se informe e descubra essas fontes de renda alternativas. Claro que existem aqueles picaretas que não pagam, esses são conhecidos como Scams, portanto, evite-os!

Eu particularmente, utilizo pelo menos três sites que considero serem os mais confiáveis, por todas as informações que pesquisei, sobre quais são os sites que mais pagam, os que realmente pagam e quanto pagam por essa atividade, etc.

O primeiro que eu considero o melhor é o ClixSense, que faz pagamentos em Dólares, via Paypal. Este site, que já tem 7 anos de atividade, te dá uma série de tarefas diárias a serem realizadas, que te proporcionam um bom lucro ao fim do seu período trabalhado. É possível obter ganhos ouvindo rádios, respondendo pesquisas, jogando games gratuitos e muitas outras atividades, entre gratuitas e pagas também.

 

Faça uma pesquisa e veja os fóruns no site, onde as pessoas apresentam seus comprovantes de pagamento e outras estratégias para ter um bom desempenho e garantir alguns dólares à mais em sua conta bancária, além dos usuários que fazem upgrade para a conta Premium (que hoje custa US$17) e obtém vantagens bem lucrativas. De todos, este é o site com atualização de conta mais barato.

O outro site que eu gostei bastante é o Publipt, que está completando 11 anos de atividade. Esse é um site português que paga em Euros, através do Paypal, além de outras formas. Embora o saque mínimo seja de €30, eu achei esse site bastante interessante, pois é possível ganhar por cliques, o tempo todo, navegando em páginas na web, facebook e assistindo vídeos no Youtube. Aqui, a principal fonte de lucro é a divulgação do site, que te dá diversas maneiras para ser um divulgador. Nesse site também existe a possibilidade de upgrade para as contas VIP e Vitalícia (esta custa hoje €760) .


Outra possibilidade de ganhos bem interessante é com o NeoBux, que também é um dos mais antigos desses sites PTC. No NeoBux, apesar do valor mínimo para pagamento ser de $2, o montante têm um acréscimo de $1 para cada pagamento, até o limite mínimo, fixo em US$10. Daí para frente, você só poderá fazer retiradas mínimas de $10, para contas do Paypal, Neteller, Skrill e Payza.

O diferencial do NeoBux é que para se obter um bom lucro há a necessidade de ter os seus indicados e, nesse caso a melhor opção para quem está começando é o aluguel de referidos, que começam com 3 referidos por $0,06, 5 referidos por $1 e segue até a quantia de 100 referidos por $20. É dessa maneira que você pode dobrar, triplicar e continuar a aumentar seus rendimentos.



Portanto, se você quer entrar nessa, eu sugiro que primeiramente crie uma conta no Paypal, habilite seus cartões e contas bancárias lá e depois siga os links e registre-se nesses sites, tudo isso absolutamente grátis. Após você se sentir mais seguro e familiarizado com o esquema de trabalho, é recomendável que escolha um dos sites que mais se adeque às suas necessidades e faça um upgrade de sua conta.

Eu já fiz a minha no ClixSense e confesso que só tenho obtido vantagens e, apesar do pouco tempo, meus rendimentos já começaram a aparecer. Somente no primeiro dia de usuário Premium, meu saldo subiu de $0,02 para $3,50, por conta da quantidade de possibilidades de pesquisas e afins. Em breve pretendo subir minhas contas nos outros sites também.

Eu não vou explicar detalhadamente neste post, como funciona a coisa toda e quais são os sites melhores para trabalhar. Mas, essas e muitas outras informações você pode encontrar facilmente em vídeo-tutoriais pelo YouTube e outros fóruns espalhados pela web. Experimente dar uma busca no Google, por vídeos sobre como ganhar dinheiro na internet ou quais são os sites PTC mais confiáveis. Existem realmente muitos...

Bons negócios!

quarta-feira, 17 de outubro de 2012

Cidadão Boilesen


Henning Albert Boilesen foi um empresário dinamarquês radicado no Brasil, acusado por militantes de esquerda de ser um dos financiadores da Operação Bandeirante, de ensinar técnicas de tortura e de ser agente da CIA. Foi justiçado (assassinado sem direito a julgamento), em 15 de abril de 1971, na cidade de São Paulo. 

Henning Boilesen foi uma pessoa muito influente na indústria brasileira, durante a época da ditadura militar, tendo participado da fundação do Centro de Integração Empresa Escola (CIEE), foi presidente da Ultragás e do Rotary Clube. Também foi um dos primeiros grandes empresários a financiar o aparato político-militar brasileiro, que torturou e matou em São Paulo, por meio da Operação Bandeirante (OBAN), que viria a ser o embrião do modus operandi dos DOI-CODI (Destacamento de Operações de Informações-Coordenação de Defesa Interna). 

Boilesen foi executado a tiros, por militantes de duas organizações de esquerda, na manhã de 15 de abril de 1971, no bairro dos Jardins, em São Paulo. Seus executores dizem que o escolheram como exemplo para um justiçamento, acusando-o de ajudar no financiamento da repressão e de assistir a sessões de tortura de presos políticos. Dizem também que Boilesen gozava da intimidade dos agentes de segurança da OBAN e que haveria até um instrumento de tortura conhecida como Pianola Boilesen, em homenagem ao empresário, que trouxe do exterior, uma máquina de eletro-choque acionada por teclado.

O documentário Cidadão Boilesen de Chaim Litewski, montado por Pedro Asbeg, conta a história do empresário. O documentário afirma que Boilesen era um cidadão marcado pelas ambiguidades e paradoxos, típicos dos seres humanos. O filme vai até a Dinamarca, visita os arquivos de histórico escolar, da escola onde Boilesen estudou quando criança e adolescente, no início do século passado; além de entrevistar amigos, colaboradores civis e militares do empresário, seu filho mais velho, o cônsul americano em São Paulo na época dos acontecimentos e um dos militantes que participaram da morte do empresário. Contém ainda, depoimentos de figuras como o ex-Presidente do Brasil Fernando Henrique Cardoso, o ex-governador de São Paulo, Paulo Egídio Martins, do coronel Erasmo Dias e do cardeal Dom Paulo Evaristo Arns, entre outros personagens importantes da época. O filme debate fartamente o hábito do empresário de assistir as sessões de tortura, confirmado por testemunhos de militares e militantes da época.

Fonte: Wikipedia


segunda-feira, 5 de março de 2012

O Mundo de Sofia


Filme baseado no livro de Jostein Gaarder, publicado em 1991. Uma boa introdução ao mundo da filosofia ocidental.



domingo, 19 de fevereiro de 2012

A História do Brasil


Excelente aula de História do Brasil, com o professor Boris Fausto, desde a chegada dos portugueses até o governo do presidente Lula, eleito pelo voto direto, em 2002. Este documentário aborda de maneira bastante didática vários fatos que contribuíram para a formação da nação brasileira, em seus pouco mais de 500 anos de existência.

domingo, 4 de dezembro de 2011

Dr. Sócrates (1954-2011)


Por Rubão Almeida

Existem dias que começam antes da meia noite, e hoje começou ontem, quando eu ví na televisão uma notícia sobre o extremamente debilitado estado de saúde de Sócrates, o ex jogador do Corinthians. Imediatamente algo me dizia que aqueles seriam os últimos momentos do Doutor, como era conhecido pela maioria daqueles que o viram dar espetáculos, em seus jogos com a camisa do Timão e da seleção brasileira.

Acabei acordando hoje, com a notícia do falecimento do Dr. Sócrates, às 4:30 da manhã, e logo percebí que este seria um dia diferente, daqueles para entrar para a história. Tudo porque hoje era o dia em que o Corinthians iria decidir o Campeonato Brasileiro de 2011, com o rival histórico, o Palmeiras. E no caso de conquista do título, seria um dia triste, mas que ficaria marcado na história do clube, como o Dia de Sócrates, pela conquista do brasileirão.

E assim foi, o Timão chegou ao seu quinto título brasileiro, para a glória máxima de um de seus maiores ídolos, que foi como um maestro na regência de sua orquestra. O time apresentou um futebol, que está longe de ser comparável àquele em que o Dr. jogou, em sua gloriosa passagem pelo Corinthians, mas foi suficiente para garantir o empate contra o Palmeiras e conquistar o quinto brasileirão. A partir de agora, quando contarmos a história do Timão, vamos ter de falar deste dia e lembrar de um dos maiores ídolos da história do clube.

Em diversas redes sociais, pela internet, foram vistas mensagens de homenagem ao doutor, de pessoas que são torcedoras de diversos times, por onde ele jogou, ou simplesmente, de amantes do futebol arte, que assim como eu, aprendeu a admirar o futebol de toda uma geração, que se preocupava apenas em jogar o fino da arte do futebol.

Contemporâneo de gênios como Zico, Júnior, Roberto Dinamite, Éder, Casagrande, entre muitos outros, que fizeram a alegria de milhões de torcedores, que assistiam futebol entre as décadas de 70 e 80, do século XX. Sócrates fez fama ao conquistar os títulos paulistas de 1979, 1982 e 1983, pelo Corinthians, além de ter participado das Seleções que disputaram as Copas de 1982 e 1986, sob a batuta do maestro Telê Santana. Também jogou na Fiorentina, da Itália, no Flmaengo e no Santos, no final da década de 80, onde demonstrou suas jogadas de calcanhar, que se tornaram sua marca registrada, sendo autor de vários gols importantes, como os da seleção brasileira na Copa de 1982.

Sócrates deixará saudades e suas jogadas ficarão na memória de muitos corintianos, por várias gerações, que se lembrarão do dia em que o doutor foi embora, para ver o Timão campeão de um outro plano. Descanse em paz, doutor da bola e parabéns ao Corinthians, pelo seu quinto Campeonato Brasileiro!!


quarta-feira, 9 de novembro de 2011

Personagem: Ricardo Gumbleton Daunt



Túmulo do Dr. Ricardo G. Daunt, no Cemitério da Saudade, Campinas/SP

Por: Anna Gicelle Garcia Alaniz
 
Ricardo Gumbleton Daunt nasceu em Cork, na Irlanda, mais precisamente no Castelo de Kilcascan, de propriedade de seu avô William Daunt, em trinta de agosto de mil oitocentos e dezoito. Era filho primogênito de Richard Gumbleton Daunt e Anna Dixon Raines, de Kirkland. Devido ao sistema de morgadio, sendo o segundo filho de William Daunt, seu pai viu-se excluído da sucessão nos títulos e terras da família, tornando-se capitão do exército inglês. Aos cinco anos, tendo-lhe falecido a mãe, o Dr. Ricardo passou a ser educado pela família desta na Inglaterra.

Existe uma pequena discrepância, em duas fontes documentais, acerca do local de seu nascimento. J. David Jorge[1] em ensaio sobre a cidade de Campinas, indica a localidade de Hull na Inglaterra. Já os registros de seu histórico escolar na Faculdade de Medicina de Edimburgo, indicam Humbleton in East Yorkshire, também na Inglaterra.[2] A família, entretanto, sustenta a versão endossada por vários outros relatos, que situam no castelo de Kilcascan, o local onde o médico veio à luz.

Suas origens parecem perder-se na noite dos tempos da conquista normanda, mas procuraremos reconstruí-las com base nos dados fornecidos por Estêvão Leão Bourroul[3], Salvador de Moya[4] e Sacramento Blake[5], além daqueles do Livro de Ouro[6] organizado por seu neto homônimo, por ocasião do centenário de seu nascimento. Quando, no ano de 1066, Guilherme atravessou o Canal da Mancha e empreendeu a conquista bem sucedida das Ilhas Britânicas, levou consigo os primeiros Daunt a fixar-se em solo inglês, deixando na Normandia uma parte da família, que grafava-se Dauntre, de modo afrancesado.[7] Ao longo dos anos, através dos casamentos, os Daunt foram ligando-se aos De Tracy, de Toddington, e aos Owlpen, de Gloucester. Participaram de batalhas célebres e estabeleceram alianças sempre próximas aos monarcas reinantes.[8]

Durante a Guerra da Duas Rosas, os Daunt apoiaram a Casa Lancaster, da Rosa-Vermelha, ligando-se aos Stowell, de Somerton. Após o período sangrento em que as Casas de York e Lancaster pereceram e propiciaram a ascensão dos Tudor, a situação da família e seus aliados foi-se complicando ano após ano. Católicos ortodoxos, alguns dos Daunt foram surpreendidos pela reforma de Henrique VIII, que foi posteriormente consolidada por sua filha Elizabeth I. Aqueles foram anos de incertezas políticas, conspirações, ameaças de guerras iminentes com a Espanha e a França, não apenas devido à religião, mas à supremacia política da Europa ocidental. Foi durante o reinado de Elizabeth I, que Thomaz Daunt Owlpen de Throckmorton passou à Irlanda, fugindo às perseguições, para ali fixar-se, dando origem ao tronco familiar no qual o Dr. Ricardo viria a nascer.[9]

Identificação do túmulo
A passagem dos Daunt para a Irlanda, deu-se em um período bastante conturbado e marcado pelo estigma das disputas religiosas. Em sua nova terra, a família ligou-se aos O’Connor, de uma longa linhagem de patriotas, descendentes de Roderick O’Connor, o 183o. Monarca Suzerano da Irlanda, que falecera em 1198d.C. O Dr. Ricardo orgulhava-se desse parentesco que incluía Fergus O’Connor, líder cartista e membro do Parlamento em Londres, e Francis Burdett O’Connor, companheiro de Simón Bolívar nas guerras de independência da América Espanhola. Costumava corresponder-se com o neto de Francis, Dr. Thomaz O’Connor D’Arlach, residente em Tarija, na Bolívia, e editor do jornal “La Estrella de Tarija”.[10]

Apesar do caráter migratório da trajetória dos Daunt, o Dr. Ricardo considerava-se irlandês. Talvez porque as origens normandas dos Daunt, o identificassem mais ao povo celta, que dera origem à Irlanda, do que aos saxões da Inglaterra. Considerava-se irlandês e Aristocrata, assim mesmo grafado com maiúscula, conforme costumava fazê-lo em sua correspondência pessoal.

Sua formação deu-se sob a direção do Dr. Isaac Dixon, seu tio materno. Além da “sólida moral cristã”, este parece tê-lo apoiado nos caminhos da medicina. O doutor Ricardo estudara temporariamente nas faculdades de Paris e Viena, mas graduara-se em Edimburgo, bem como acompanhara o curso de Humanidades, em Londres. Devido ao caráter vasto de seus estudos e à habilidade e interesse por expressar-se em diversas línguas, logo adquiriu fama de erudito.[11] “Tinha notavel erudição, não só em Medicina, como em Philosophia, Historia, Sciencias Naturaes e Sociaes, e conhecia muito bem o Latim, Grego, Allemão, Inglez, Celta, Francez, Russo, Hespanhol e Portuguez.”[12]; Afirma-se no Livro de Ouro. Entretanto, esse cabedal de conhecimentos reflete uma longa trajetória de árduos estudos que prolongou-se por sua vida afora. Sempre pesquisando e participando ativamente de Sociedades e Institutos, o Dr. Ricardo cultivava sua erudição com um zelo muito maior do que aquele que dedicava à sua clínica ou a suas propriedades.[13]

Em 2 de agosto de 1841 foi lavrado seu pergaminho de Doutor em função da tese defendida que versava sobre inflamações agudas. Chegando ao Rio de Janeiro em 1843, após uma passagem pela África do Sul, defendeu publicamente perante a Faculdade de Medicina nova tese que lhe possibilitou o exercício da clínica no Brasil, conforme exigências legais. Clinicou em Macaé, mas acabou por radicar-se na Província de São Paulo. Em 24 de Abril de 1850 foi expedida a carta de naturalização, que o transformou em cidadão brasileiro.

Como membro correspondente do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro, onde algumas de suas cartas ainda são conservadas nos arquivos, desenvolveu uma atividade prolífica entrevistando pessoas idosas à procura de memórias sobre a origem de usos, costumes, palavras e sobre o passado das famílias paulistas. Genealogista obcecado, entregou-se à paixão de localizar, identificar e remeter ao Instituto, manuscritos setecentistas que foram elaborados por Pedro Taques, entre outros.

Sua dedicação como erudito, de certo modo, igualava sua pertinácia como conservador. Do mesmo modo, seu catolicismo ferrenho levava-o constantemente à crítica da expulsão dos jesuítas, chamando de parvenu ao Marques de Pombal, em uma clara alusão ao enobrecimento tardio por contraposição às suas próprias origens. Afirmava que a educação e a moral da Província de São Paulo encontravam-se em um acelerado processo de decadência, devido ao fechamento das escolas fundadas pelos jesuítas. Crítico implacável das idéias dos jansenistas, reconstituía com freqüência a vida dos padres de Itú, revelando suas fontes e informações, e expressando sua frustração com o estado das tradições e do ensino na cidade e na Província.[14]

Encontrava-se, por ocasião de seus trabalhos como genealogista, que geraram as primeiras correspondências junto ao Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro, residindo na cidade de Itú. Sendo um dos fundadores do partido católico, durante o segundo reinado, dividia igualmente sua paixão entre a clínica, a política e o ofício de historiador amador.

Em Campinas foi tesoureiro da irmandade do Espírito Santo, estava listado entre os lavradores (isto é, proprietários de lavoura), e também como médico e 4o. Juiz de Paz da Paróquia de Santa Cruz. Fora vereador na cidade e tornaria a sê-lo por várias vezes, bem como deputado à Assembléia Provincial, e conquistara sua fama de luminar da medicina, talvez não apenas por sua procedência mas pelo caráter enfático com que sublinhava seus diagnósticos e opiniões.


Residência do Dr. Ricardo, no centro de Campinas/SP
Em 18 de setembro de 1845 casou-se com Anna Francelina de Camargo, filha de Joaquim José dos Santos Camargo, de ilustre família paulista, resultando dessa união seus nove filhos: Haroldo (1846-1886) – foi vigário de Capivari; Torlogo (1847-1909) – era advogado e exerceu vários cargos públicos em Campinas; Fergus (1849-1911) – foi Vigário Geral de São Paulo; Alicia (1851-1933) – embora permanecesse solteira, tivera esmerada educação no Colégio Patrocínio de Itú e veio a herdar-lhe a casa da rua Marechal Deodoro; Briano (?-1889) – era advogado e faleceu solteiro; Winifrida (1857-1928) – teve o casamento arranjado com José de Salles Leme; Fernando (1858-1930) – permaneceu solteiro e não sabemos ao certo se chegou a ter alguma profissão; do mesmo modo, de Cornélio, casado com Anezia de Queiroz Ferreira, a família informou que tendo abandonado a Faculdade de Direito do Largo São Francisco, dedicou-se ao magistério; Rogério (1862-1914) – era advogado.

A importância do parentesco com os Camargo revelou-se na hora encaminhar seus filhos ao estudo ou conseguir-lhes casamentos vantajosos, bem como de deixar suas duas filhas bem amparadas. O caráter recolhido de sua vida familiar, impossibilita-nos de obter dados sobre a natureza de seu casamento ou da convivência com seus filhos. Tanto seu testamento, quanto o de sua esposa, falecida em 1885, demonstram que apesar de sua mobilidade e inserção social adequada, sua vida permanecera modesta e ao final tornara-se bastante austera. Do estabelecimento de lavoura que, em 1866, contava com mais de vinte escravos, provavelmente herdado de Joaquim José dos Santos Camargo, nada restara.[15] As crises do café e o costume de ser fiador de dívidas de parentes levaram esses bens. Apenas restava-lhes a casa da rua Marechal Deodoro e sua extensão que dava para a rua Sacramento.

Apesar da estima aparentemente mútua entre o Dr. Ricardo e seu sogro, a herança do velho Joaquim não pôde ser aumentada ou bem conservada devido aos reveses econômicos e às disputas familiares. Por ocasião do falecimento do Dr. Ricardo, em 1893, apenas a casa de residência à antiga rua do Imperador, por então e até hoje renomeada Marechal Deodoro, mais quadros, livros e mobília, constituíam o patrimônio que foi dividido pelos sete filhos que lhe sobreviveram.[16]

Anna Francelina de Camargo, passou quarenta anos de sua vida casada com o Dr. Ricardo Gumbleton Daunt, e embora fosse através de sua pessoa que este fora inserido na parentela dos Camargo, e que obtivera uma boa parte dos bens materiais que lhe passaram pelas mãos, pouco ou nada sabe-se dessa senhora. Nos casos de dívidas e execuções, D. Anna tivera seu nome ligado indissoluvelmente ao do marido, e em momento algum fora ouvida quer fosse nos tribunais ou em qualquer outra instância da sociedade civil.

Seu testamento foi realizado no leito, durante a agonia que prolongou-se durante alguns meses. Gravemente enferma, D. Anna Francelina preocupava-se com o bem-estar futuro de seu marido e com a salvação da própria alma. Assim, após vários legados simples em que beneficiava as Paróquias de Conceição e de Santa Cruz, a fim de que fossem rezadas as missas necessárias a bem da paz de sua alma, procurou dispor de sua terça da maneira como achava mais justo e adequado.

Cada legado às paróquias montava a um conto e cem mil réis; duzentos mil réis iam para sua neta Alfrida, filha de Torlogo O’Connor Paes de Camargo e Dauntre, seu segundo filho; o remanescente da terça, em partes iguais, ia para seus filhos Fernando e Alice, e seria parte da casa de residência da família à rua do Imperador, número dez; deixa claro que esta casa era uma doação que seu pai lhe havia feito e que, portanto não entrara para a comunhão de bens do casal, mas institui seu marido como meeiro e deixa-lhe a metade do imóvel.[17]

O Dr. Ricardo, por sua vez, faleceu em 7 de junho de 1893, apenas dois meses após a confecção de seu próprio testamento. A causa mortis dada pelo Dr. Domingos de Azevedo em seu atestado de óbito, foi “syncope”; ou seja uma síncope ou ataque qualquer de natureza desconhecida. Para um homem temperamental, ativo e contando com setenta e três anos de idade, esse tipo de morte súbita e fulminante, à época, tanto podia tratar-se de um acidente cardiovascular, como vascular-cerebral, ou, ainda, apoplexia ou catalepsia.

Seu testamento indica que, ao falecer, o Dr. Ricardo Gumbleton Daunt, encontrava-se em situação econômica quase análoga à de sua chegada ao país. A casa em que residia deveria passar diretamente aos herdeiros, uma vez que fora de sua falecida esposa, seus bens reduziam-se a quadros, livros, algumas ações da Companhia Mogyana, pouca prataria e móveis em geral, de onde foi tirada a legítima que coube a cada um de seus filhos vivos, que por então eram sete. Dois legados apenas no testamento, cento e oitenta mil réis destinados à celebração de sessenta missas, cinqüenta para as almas de todos aqueles que tinham sido seus escravos, e dez para sua própria alma; e um conto de réis para o “creoulo” Huberto, filho de Eva que fora sua escrava.

Há no testamento uma dívida confessa de oito contos e quinhentos mil réis, do Dr. Ricardo em relação a sua filha solteira D. Alice. O texto especifica que se trata de dívida e não de legado e justifica como pagamento pelos serviços prestados na administração da casa, desde a doença de sua mãe. D. Alice, que foi por ele designada para testamenteira, cumpriu escrupulosamente cada legado e saldou todas as dívidas; do montante remanescente, cada filho sobrevivente recebeu dois contos e quarenta e dois mil quinhentos e quarenta e nove réis, como legítima.

Morte súbita, o testamento indicava o desejo de um enterro simples... Mas não foi assim. Embora o documento fosse claro, a família despendeu a quantia de 1:678$800 (um conto e seiscentos e setenta e oito mil e oitocentos réis) com o serviço funerário, caixão, féretro, etc., etc. Considerando a simplicidade de seu inventário, essa quantia chama a atenção. Talvez seus filhos estivessem cônscios da importância do velho médico para a cidade e não quisessem de modo algum que o despojamento ostentado em sua última vontade fosse traduzido a olhares contemporâneos como miséria ou indiferença. Quem pode saber?

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS:

1 – JORGE, J. David. Campinas (Contribuição Histórica). Boletim do Departamento do Arquivo do Estado de São Paulo, São Paulo, 13: 63-143, 1954. pp.138-139.
2 – Edinburgh University Library. Special Collections. “1841 - Medical Examination Vol.1”. pp.1v-2.
3 – BOURROUL, Estevam Leão. O Dr. Ricardo Gumbleton Daunt: 1818-1893. Ensaio Biographico. São Paulo, Typ. a Vapor Espíndola, Siqueira & Comp., 1900.
4 – MOYA, Salvador de. Annuario Genealogico Brasileiro. 1o. anno. São Paulo, Revista dos Tribunaes, s.d.
5 – SACRAMENTO BLAKE, Augusto Victorino Alves. Diccionario Bibliographico Brazileiro. Rio de Janeiro, Imprensa Nacional, 1902. v7.
6 – O Livro de Ouro de Ricardo Gumbleton Daunt. 1818-1918. Primeiro Centenário de seu Nascimento. São Paulo, Officinas Graphicas Cardozo Filho & C., 1918.
7 – Vale a pena ressaltar que, ao batizar seus nove filhos, o Dr. Ricardo optou por essa grafia, sendo o Daunt retomado apenas por seus netos.
8 – BOURROUL, Estevam Leão. Op. cit. p.2.
9 – BOURROUL, Estevam Leão. Op. cit. p.3.
10 – BOURROUL, Estevam Leão. Op. cit. pp.4-5. Vide também Arquivo do IHGB, DL180.45 e DL677.2.
11 – BOURROUL, Estevam Leão. Op. cit. pp.13-15.
12 – O Livro de Ouro.... Op. cit. p.27.
13 – Arquivo do IHGB DL321..23 pp. 10-11-41-42.
14 – Arquivo do IHGB. DL.321-23, DL.581-26, DL.180-24.
15 – CMU/AH. TJC. 1O. Ofício. Caixa 181. Documento 3821.
16 – CMU/AH. TJC. 1.º Ofício. Caixa 307. Documento n.º 5939 e CMU/AH. TJC. 3.º Ofício. Caixa 387. Documento n.º 7673 e Caixa 535. Documento n.º 10631.
17 – CMU/AH. TJC. 1.º Ofício. Caixa 278. Documento n.º 5394.

*Anna Gicelle Garcia Alaniz: Professora Doutora em Ciências, na área de concentração de História Social, pela Universidade de São Paulo, hoje lecionando na FAM – Faculdade de Americana. Este texto foi elaborado a partir de uma síntese do capítulo III. DR. RICARDO: O HOMEM, parte integrante da tese = ALANIZ, Anna Gicelle Garcia. Dr. Ricardo Gumbleton Daunt: o homem, o médico e a cidade (Campinas, 1843-1893). Tese de doutoramento defendida na Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas. São Paulo, Universidade de São Paulo, 1999, páginas 74-127.

**Fotos por: Rubão Almeida - 2011 

Fonte: Sociedade Brasileira de História da Medicina