sexta-feira, 31 de julho de 2009

Fãs de Heavy Metal presos na Turquia por fazer saudação de "chifrinhos"

Cinco turcos fãs de heavy metal foram presos em Istambul na semana passada quando eles fizeram saudações dos "chifrinhos do demônio" para pessoas que partipavam de uma parada.

O jornal Irish Times contou a história completa: "As janelas escuras de um dos carros se abriu e um cara com óculos escuros falou alto: 'O que diabos vocês estão fazendo?'", disse Yusuf Sengul, que estava indo para o primeiro dia de um festival de metal com seus amigos. Cinco minutos depois, o homem de preto voltou com a polícia, jogou Sengul e quatro outros dentro dos carros e os levou até a delegacia.

"Eles disseram que estavam agindo por ordens do primeiro ministro", relembra Sengul. "Nós estávamos rindo, pensamos que era uma piada".

Mas não era. Acusados de "desrespeito a um alto funcionário", os cinco jovens passaram o resto do dia e a noite sendo levados de uma delegacia de polícia para a outra.

Todos os cinco foram soltos sem nenhuma pena depois de 21 horas em custódia, mas não antes de serem algemados, terem suas impressões digitais recolhidas, sofrido um interrogatório repetitivo e - bizarramente - forçados pela polícia a escutar um coquetel de música clássica turca e pop.

"Eu infelizmente vi a situação de alguns dos nossos jovens, e isso foi deprimente", disse o primeiro ministro Tayyip Erdogan aos repórteres no dia seguinte, antes das notícias da prisão terem aparecido na mídia. Esta interminável erosão moral descontrolada está realmente preocupante. Nós temos que defender nossa estrutura familiar".


Fonte em inglês: Classic Rock


Novidades do underground carioca - Demétryus Gua


Há algum tempo, num passeio pelo site da Trama Virtual, eu encontrei meio sem querer a página de um doidão carioca chamado Demétryus Gua. Eu já tinha ouvido as músicas do primeiro trabalho dele chamado Instintivo, mas hoje, novamente meio ao acaso, caí de novo na página dele e pude sacar o novo trabalho que ele lançou. Trata-se do album Tormento, lançado agora em 2009 e que traz um som eletrônico nos moldes de muita coisa que já ouví nessa área, do tipo: Bjork, Nine Inch Nails, Nitzer Ebb e claro, os alemães do Kraftwerk, só pra citar alguns.

Em suas influências ele diz que há muita coisa "moída e processada", passando por coisas completamente diferentes como Milton Nascimento e Tati Quebra-Barraco. Essas influências talvez sejam um certo exagero em seu ecletismo, mas, sem dúvida a música é interessante e quem curte esse tipo de som com uma certa nostalgia oitentista, vai querer ouvir o resto do trabalho do cara.

Vale a pena dar uma sacada nessas novidades, que muitas vezes passam despercebidas da grande mídia e que só alguns garimpeiros de internet tem acesso. Confiram a página do rapaz lá na Trama Virtual e que cada um julgue por si. Eu ainda prefiro manter o olhar para frente...

quinta-feira, 30 de julho de 2009

O triunfo do medo na Rússia: Ataques frustram o trabalho de ativistas de direitos humanos


Der Spiegel
Ann-Dorit Boy

O novo presidente da Rússia está tentando mostrar ao mundo uma face mais liberal, mas a contagem de corpos de ativistas de direitos humanos assassinados continua crescendo. Ser um crítico político na Rússia está se tornando cada vez mais perigoso e agora uma proeminente organização de direitos humanos na Tchetchênia decidiu fechar as portas.

Mais um ativista de direitos humanos foi silenciado em outro ataque brutal. Nesta semana, atiradores desconhecidos dispararam balas de borracha na boca do ativista anticorrupção Albert Pchelintsev, em frente ao seu apartamento em Khimki, um subúrbio de Moscou. O ativista de 38 anos foi seriamente ferido na face e mandíbula, mas sobreviveu ao ataque.

Pchelintsev é presidente de um movimento regional contra a corrupção. Durante o ano passado, ele ajudou a abrir um escritório comunitário onde os cidadãos podiam denunciar e documentar casos de corrupção. Como resultado desse e outros trabalhos, o ativista recentemente passou a ser ameaçado: se não parasse, ele foi alertado que nunca mais poderia falar.

Este é o terceiro ataque contra ativistas russos de direitos humanos a ganhar atenção internacional nas últimas duas semanas. Em meados de julho, a jornalista e ativista Natalya Estemirova, que trabalhava na Tchetchênia, foi sequestrada e morta a tiros. Logo depois o corpo de Andrei Kulagin, da organização Justiça, foi encontrado em um areeiro próximo da cidade de Petrozavodsk, no norte da Rússia. Kulagin defendia um tratamento humano aos prisioneiros e seu desaparecimento, em meados de maio, foi repentino.

O assassinato de Estemirova, em particular, chamou muita atenção internacional -principalmente porque a membro de um proeminente grupo de direitos humanos, Memorial, documentava os sequestros e assassinatos na antiga zona de guerra da Tchetchênia. Atualmente a região é considera uma espécie de buraco negro legal -ela é controlada pelo presidente tchetcheno Ramzan Kadyrov, um protegido do ex-presidente russo Vladimir Putin.

Líder de direitos humanos será processado
Pouco antes de sua morte, Estemirova, que também conhecia a jornalista tchetchena assassinada Anna Politkovskaya, tinha noticiado online a execução de um suposto rebelde pela milícia tchetchena. O escritório de direitos humanos do governo Kadyrov foi então contatado pelo escritório da Memorial em Grozni para expressar descontentamento com a mais recente reportagem de Estemirova. Eles também indicaram que faria bem para ela mudar urgentemente seu modo de trabalho.

Quatro dias depois, a mulher de 50 anos foi forçada a entrar em um veículo, levada para o outro lado da fronteira, para a república vizinha da Inguchétia, a cerca de 100 quilômetros da capital tchetchena de Grozni, e morta com tiros na cabeça e peito. Oleg Orlov, o chefe da Memorial, imediatamente atribuiu a morte de Estemirova a Kadyrov. Este respondeu, dizendo que supervisionaria pessoalmente a investigação, notando que "nós também procuraremos por criminosos usando outros métodos tradicionais". Kadyrov disse que processará Orlov por dizer que ele esteve por trás do assassinato de Estemirova; seu porta-voz disse que um advogado está preparando uma ação para que Kadyrov possa "defender sua dignidade".

Em reação à morte de Estemirova, seus colegas fecharam o escritório da Memorial em Grozni. Orlov disse que eles precisavam de algum tempo para pensar se, e como, prosseguiriam seu trabalho. Ele acrescentou que a organização daria continuidade aos casos nos quais já está trabalhando, por não querer abandonar ninguém. Orlov também reconheceu estar se sentindo muito mal com o fato de Estemirova não ter sido colocada em segurança a tempo. "No mínimo, nós podíamos ter tornado públicas as ameaças que ela recebeu pouco antes de sua morte", disse Orlov. "Esse foi nosso erro."

Condolência presidencial pela ativista assassinada
Como de costume, após o assassinato ou sequestro de ativistas russos de direitos humanos, houve abundante reação internacional -de Bruxelas até Washington. O que foi diferente desta vez é que o presidente russo, Dmitri Medvedev, que estava em Munique realizando conversações com a chanceler alemã Angela Merkel, pareceu realmente perturbado com o incidente. Ele descreveu como valioso o trabalho que Estemirova estava realizando e deu garantias de que os assassinos seriam encontrados e punidos. Medvedev também enviou uma mensagem de condolência ao escritório da Memorial em Grozni.

Em comparação, o ex-presidente russo Putin, que por acaso estava na Alemanha na época do assassinato de Politkovskaya, comentou que a morte desta causou mais dano à Rússia do que qualquer um de seus artigos publicados.

Desde que assumiu a presidência, Medvedev adotou um tom mais liberal que o de seu antecessor. Ele disse mais de uma vez que deseja fortalecer o sistema legal russo e combater a corrupção. Após a morte a tiros do advogado de direitos humanos Stanislav Markelov e da jovem jornalista Anastasia Barburova, em uma rua central de Moscou em janeiro, Medvedev se encontrou com o editor-chefe do jornal altamente respeitado e crítico do Kremlin, "Novaya Gazeta", onde os dois, e também Estemirova, trabalhavam. Pouco depois, ele deu ao jornal sua primeira longa entrevista como presidente.

Fora estes gestos significativos, Medvedev de fato promoveu avanços genuínos nesta área: ele estabeleceu um conselho de direitos humanos e liberalizou as leis que tratam de organizações não-governamentais, removendo ao mesmo tempo muitos obstáculos burocráticos.

Anistia Internacional: direitos humanos estão piorando
Todavia, estes sequestros e assassinatos recentes indicam que a situação dos direitos humanos na Rússia realmente não melhorou. Na verdade, ela parece ter deteriorado. "Há a impressão de que mais incidentes estão acontecendo, além de estarem acontecendo mais regularmente", disse Simon Cosgrove, do escritório russo da organização internacional de direitos humanos, Anistia Internacional. O governo não protege os ativistas e nem investiga os assassinatos. "O governo russo não tomou qualquer medida eficaz para melhorar a situação dos direitos humanos", disse Cosgrove. "Medvedev diz muitas coisas que queremos ouvir, mas também queremos vê-lo transformar suas palavras e atos."

Em maio, a Anistia Internacional divulgou um estudo, "Regra sem Lei: Violações de Direitos Humanos no Norte do Cáucaso", que dizia que a liberdade de imprensa e a liberdade de expressão eram restritas na região. As minorias, como a comunidade de gays e lésbicas, eram oprimidas e as minorias étnicas eram molestadas por extremistas de direita. E em vez de ser independente, o Judiciário -que já era perigoso e indigno de confiança- era simplesmente um adjunto do poder do Estado. Assassinatos arbitrários, tortura e "desaparecimentos" eram ocorrências cotidianas.

A reação do Ministério das Relações Exteriores russo? O relatório era "tendencioso" e a Anistia Internacional era claramente uma "organização antirrussa".

Tradução: George El Khouri Andolfato

http://noticias.uol.com.br/midiaglobal/derspiegel/2009/07/30/ult2682u1261.jhtm

http://www.spiegel.de/international/world/0,1518,639002,00.html


quarta-feira, 29 de julho de 2009

Nova música do Digital Men!!!

Salve, salve galera!
Finalmente voltamos às atividades e estamos firmes nos preparativos para o próximo disco, que devemos lançar no próximo ano.
No vídeo abaixo mostramos uma breve palinha do que vem por aí. Dentre as novidades estará essa, que apresentamos em um pequeno aquecimento antes de iniciar o ensaio do último dia 26 de julho. A música se chama Bloqueio Mental e já está quase pronta, assim como as outras novidades que estamos preparando. Conforme as coisas forem acontecendo eu posto aqui no blog pra vocês acompanharem.
Esperamos que vocês gostem, pois, logo vem muito mais por aí!

video

Cacildis... já faz 15 anos que o Mussum se foi!

Há exatos 15 anos, morria Antonio Carlos Bernardes Gomes, o Mussum. Faleceu em 29 de julho de 1994, aos 53 anos, de complicações causadas por um transplante de coração. Iniciou sua carreira nos anos 60 com Os Originais do Samba, mas foi com os Trapalhões que eternizou o personagem que até hoje está presente na lembrança de quem, como eu, assistia ao programa dominical.

Foi considerado por muitos, como o mais engraçado dos Trapalhões e também pertenceu à Força Aérea Brasileira por oito anos. Nos anos 60 participou de um programa humorístico chamado Bairro Feliz, de onde consta que Grande Otelo lhe dera o apelido, em alusão ao peixe preto de mesmo nome, muito comum em rios, lagos e açudes no Brasil.

Nos anos 70 conquistou grande fama ao lado dos Trapalhões, onde o personagem Mussum popularizou seu jeito de falar com as palavras terminando em ''is'' ou ''évis'', dando origem aos inesquecíveis: ''forévis'', ''cacildis'', ''coraçãozis'', etc. Além disso, também era sua característica o inseparável ''mé'', ou mel, que era sua maneira carinhosa de chamar a cachaça.

Numa época onde não havia a idéia difundida do ''politicamente correto'', Mussum tornou célebres as frases onde satirizava sua condição de negro, como ''negão é o teu passadis'' e ''quero morrer pretis se eu estiver mentindo'', além das piadas muito frequentes sobre o alcolismo. É isso aí, Mussum forevis!

Abaixo, uma participação de Mussum nos Trapalhões.

domingo, 26 de julho de 2009

Retratos de um sistema falido

26/07/2009 - 08h38

Lavrador fica preso 11 anos sem ir a julgamento no Espírito Santo

AFONSO BENITES
do enviado especial da Folha de S.Paulo a Ecoporanga (ES)

O Conselho Nacional de Justiça descobriu o que considera ser um dos casos mais graves da história do Judiciário no país: o lavrador Valmir Romário de Almeida, 42, passou quase 11 anos preso no Espírito Santo sem nunca ter sido julgado.

Valmir é acusado de ter matado com uma machadada na cabeça um ex-cunhado, em 1998. Passou por quatro presídios e não teve direito de sair da prisão nem mesmo para o enterro da mãe, em 2007. O tempo que ficou na cadeia é um terço da pena máxima que pode ser aplicada no Brasil (30 anos).

Seu advogado, um defensor público da cidade de Ecoporanga (328 km de Vitória), sempre alegou que ele tinha problemas psiquiátricos, mas nunca pediu um habeas corpus. Valmir confessou o crime e disse à polícia que matou o ex-cunhado porque um dia apanhou dele.

Se tivesse sido julgado e condenado, pelo tempo que passou na cadeia, Valmir já teria direito a progressão de regime -cumprir o resto em prisão aberta (com a obrigação de se apresentar frequentemente ao juiz) ou semiaberta (quando só dorme na penitenciária).

O lavrador só saiu da prisão em maio, quando um assessor jurídico recém nomeado para o presídio em que ele estava, debruçou-se sobre uma pilha de casos e ficou sensibilizado. Em dez dias, conseguiu libertá-lo.

Embora seja considerado recorde no país, o caso de Valmir não é único. Segundo o CNJ, 42,9% dos 446,6 mil presidiários cumprem prisão provisória. A situação vem se agravando. Em 1995, menos de um terço (28,4%) dos 148,7 mil presos não tinham sido julgados.

Outros casos excepcionais foram encontrados pelo CNJ. No Maranhão uma pessoa ficou oito anos presa quando sua pena era de quatro anos. No Piauí e em Pernambuco, foram encontrados presos que já haviam sido absolvidos pela Justiça.

"Criou-se um mundo a parte. Nesse caso (do lavrador) falharam todos do sistema judicial", diz o presidente do CNJ, Gilmar Mendes.

Para Paulo Brossard, ex-ministro do STF e da Justiça, alguém ficar detido por 11 anos sem ser julgado é inaceitável.

Marcas

Os quase 11 anos de prisão deixaram sequelas em Valmir. A família diz que ele saiu do presídio "mais maluco". "Ele não consegue trabalhar e não fala coisa com coisa", diz a irmã Sirlene de Almeida.

Livre, o lavrador ficou um mês na casa da irmã em Ecoporanga. Em junho, foi para Vitória ver um irmão, que não queria recebê-lo. "Coloquei ele no ônibus no mesmo dia que chegou", diz o irmão João Batista.

Desde então, Valmir não foi mais visto. Como assinou na Justiça um termo se comprometendo a não sair da cidade, agora é considerado foragido. Detalhe, o julgamento ainda não foi marcado.


http://www1.folha.uol.com.br/folha/cotidiano/ult95u600461.shtml

sábado, 25 de julho de 2009

Eddie Van Halen sofre intervenção cirúrgica na mão

Segundo a RollingStone.com, o guitarrista Eddie Van Halen está se recuperando de uma cirurgia feita para curar uma dor que se agravou em sua mão esquerda.

"Durante a última parte da turnê, eu comecei a desenvolver uma dor, e eu não me importei muito com ela na época", disse o guitarrista. "Foi ficando cada vez pior até o ponto de há uns três meses eu já não dar conta de tocar mais. Eu sentia que tinha algo quebrado".

Van Halen procurou especialistas em Düsseldorf na Alemanha, que iniciaram o tratamento de uma artrite, mas, logo descobriram se tratar de um tendão torcido e um cisto na junção de seu polegar. Em poucos dias ele deverá retirar os pontos da cirurgia e ainda segundo a Rolling Stone, a cirurgia foi um sucesso e VH já começa a recuperar os movimentos da mão, devendo estar de volta à ativa em torno de 4 a 6 meses, o que deixa o guitarrista confiante para voltar a tocar com a máxima eficiência assim que sua recuperação estiver completa.

ERASMO DE ROTTERDAM, Desidério [1466-1536]. Elogio da loucura [1509]

O que quer que os mortais geralmente digam de mim, e não ignoro quanta má fama tem a loucura entre os mais loucos, todavia, eu digo, eu sozinho acalmo com a minha influência homens e deuses. E a prova mais convincente é que logo que aqui cheguei, diante dessa numerosa assembléia, todos os rostos imediatamente se iluminaram de nova e insólita alegria, e logo as vossas frontes se desanuviaram, aplaudindo com um sorriso de tão encantadora alegria, que todos os presentes que aqui contemplo me parecem bêbados como os deuses de Homero… quando antes estáveis sentados, tristes e preocupados, como se tivésseis saído há pouco do antro de Trofônio [filho de Apolo].


E como acontece quando o Sol mostra à Terra o seu belo rosto dourado, ou como depois de um duro inverno, de novo, na primavera, o zéfiro sopra a sua suave carícia, num átimo tudo muda de aspecto e assume nova cor, e como uma nova juventude renasce; do mesmo modo vós, ao ver-me, ganhastes imediatamente outro aspecto. O que grandes oradores podem a custo conseguir, com longos discursos longamente meditados, eu obtive num instante, somente com a minha presença: mandastes embora o tormento das preocupações…


O próprio Cristo, que é a sabedoria do Pai, de certa maneira se fez estulto ele mesmo para vir em socorro à loucura humana, quando, assumindo a natureza humana, apresentou-se como homem; do mesmo modo que se fez pecado, para nos redimir do pecado.


E não quis nos redimir senão com a loucura da cruz, valendo-se de apóstolos idiotas e obtusos aos quais deliberadamente prescreveu a insipiência, afastando-os da sabedoria, chamando-os a seguir o exemplo das crianças, dos lírios, da mostarda e dos passarinhos (todas elas, coisas estúpidas e desprovidas de inteligência, que vivem somente graças à orientação da natureza, sem artifícios, sem ansiedade)…


Mas, para não prosseguir ao infinito e para oferecer-vos a essência da coisa, na minha opinião toda religião cristã tem uma espécie de parentesco com a loucura e absolutamente não se dá bem com a sabedoria. Quereis provas? Observai, em primeiro lugar, como aqueles que mais encontram prazer nas funções sagradas e em todas as coisas da religião, que se acostam sempre aos altares, são jovens, velhos, mulheres, ignorantes. E a mãe natureza que os impele a isso, é sabido; e nada mais. Em segundo lugar, vede todos aqueles primeiros fundadores da religião; eles abraçavam uma vida de extraordinária simplicidade e eram inimigos irreconciliáveis da cultura.


Finalmente, não existem loucos mais desvairados do que aqueles que alguma vez se deixaram tomar pelo ardor da piedade cristã: dissipando os seus bens, sem se preocupar com as ofensas, deixando-se enganar, não distinguindo amigos de inimigos, tendo horror ao prazer, alimentando-se de jejuns, vigílias, lágrimas, labutas e injúrias, desinteressados da vida, não ansiando senão a morte; resumindo, tomando-se, parece, absolutamente insensíveis ao senso comum, como se o seu espírito estivesse noutro lugar, e não dentro do corpo. E o que é isso senão loucura? Não é de surpreender que os apóstolos parecessem bêbados de vinho doce, ou que São Paulo tenha parecido louco ao juiz Festo [Porcio Festo]…


Mas, como já vesti a pele do leão, vamos em frente, mostremos também que toda a sonhada felicidade dos Cristãos, aquela felicidade a que aspiram com tanto sofrimento, não é mais, perdoai-me a palavra e considerai somente a coisa em si, que uma espécie de loucura e desvario. Em primeiro lugar, Cristãos e Platônicos estão quase de acordo que a alma humana está imersa no corpo, e a este ligada por uma cadeia, a rusticidade do corpo impedindo-lhe de contemplar o real e de usufruir dele. É por isso que Platão define a filosofia como contemplação da morte, como aquela que afasta a mente das coisas visíveis e corpóreas, exatamente como faz a morte.


Portanto, enquanto a alma utiliza retamente os órgãos corporais é considerada sã; mas quando, rompidos os vínculos, tenta afirmar-se em plena liberdade, pensando quase em fugir daquele cárcere, então chamam a isso insanidade, loucura. Se isso ocorre por doença ou por defeito orgânico, então é por todos considerada loucura verdadeira.


Todavia, vemos que homens dessa espécie também predizem o futuro, sabem línguas e ciências nunca aprendidas anteriormente; enfim, mostram possuir em si algo de divino. Não há dúvida de que isso se dá porque a mente, um pouco mais livre do contato com o corpo, começa a revelar a sua força natural. Creio que é pelo mesmo motivo que algo semelhante costuma acontecer àquele que, aflito na agonia da morte, fala, como que inspirado, de coisas prodigiosas.


Se, no entanto, isso se manifesta pelo ardor religioso, talvez não se trate do mesmo gênero de loucura, mas de outro, tão próximo do precedente que grande parte dos homens julga nada mais, nada menos, que loucura, especialmente quando o modo de vida de um punhado de desgraçados diverge totalmente do resto do gênero humano.


A esses, portanto, pode suceder na realidade aquilo que, segundo a fantasia de Platão, acontecia aos prisioneiros da caverna (os quais viam somente as sombras das coisas) e àquele fugitivo que, ao retomar à caverna, anunciou aos companheiros ter visto as coisas na sua realidade e que eles se enganavam redondamente acreditando que nada mais existisse além daquelas pobres sombras. Já ciente, ele efetivamente lamenta e deplora a loucura dos outros, por estarem tomados por tamanha ilusão; os outros por sua vez riem dele como de um louco que desatina e o expulsam dali.


Do mesmo modo, a multidão: quanto mais corpóreas são as coisas, tanto mais arregala os olhos, acreditando que nada além possa existir; ao passo que os espíritos religiosos tanto mais as negligenciam quanto mais próximas do corpo estiverem, para se deixar arrebatar completamente na contemplação das coisas invisíveis.


Os homens do mundo, portanto, colocam em primeiro lugar as riquezas e logo a seguir as comodidades corporais; deixam em último lugar a alma, em cuja existência, aliás, a maioria nem mesmo acredita, uma vez que não pode ser vista com os olhos. Ao contrário, as pessoas piedosas voltam-se, em primeiro lugar, com todas as suas forças, para Deus, que é o mais simples dos seres, e, secundariamente, cuidam do que mais se aproxima de Deus, ou seja, a alma; assim, negligenciam o corpo e de coração desprezam o dinheiro, fugindo dele por ser imundo. Ou, se forem obrigadas a tratar de alguma coisa do mesmo tipo, fazem-no de má vontade e com desdém: têm e é como se não tivessem, possuem e é como se não possuíssem.


Existe entre essas duas categorias de homens, mesmo nos detalhes, uma considerável diferença, uma gradação. Para começar, apesar das várias faculdades humanas terem todas um vínculo com o corpo, existem algumas mais materiais, como o tato, a audição, a visão, o olfato, o paladar, e outras mais afastadas, como a memória, a inteligência, a vontade. E a alma, quando se empenha, floresce.


Nos homens religiosos, posto que todo o seu empenho está voltado àquilo que mais se afasta das faculdades materiais, estas se enfraquecem, embotam-se. As pessoas comuns, ao contrário, são extraordinariamente vivas, ao passo que as outras, aquelas espirituais, têm pouco ou nenhum desenvolvimento. Daí resulta o que se diz de alguns santos, de terem bebido óleo em lugar de vinho.


E também no campo das paixões existem aquelas que têm maior conexão com a materialidade do corpo: o amor carnal, a gula, a ira, a soberba e a inveja. Contra essas, as pessoas piedosas travam uma guerra sem quartel, enquanto o povo, ao contrário, acha que sem as mesmas a vida não é vida.


Existem ainda sentimentos intermediários e quase naturais, como o amor à pátria, o afeto pelos filhos, pelos pais, pelos amigos, aos quais o povo confere considerável importância. Mas mesmo estes sentimentos os outros estudam arrancar-lhes do coração, a não ser quando alcançam aquela parte mais elevada da alma; de modo que não amam o pai enquanto pai (de fato, o que este gerou senão o corpo?, se bem que mesmo este se deva a Deus, que é o genitor de tudo), mas enquanto homem bom, no qual resplandece a imagem daquela inteligência suprema, que chamam de único sumo bem, e fora do qual, como eles sustentam, não existe nada que mereça ser amado ou desejado.


Dentro desse mesmo critério se avaliam todas as outras competências da vida, de modo que o que é visível, se não deve ser totalmente desprezado, deve ser levado em muito menor conta do que as coisas que não se podem ver.


Afirmam ainda que mesmo nos sacramentos e nas próprias práticas piedosas existe espírito e existe corpo. No jejum, por exemplo, para eles não é muito importante se alguém se abstém das carnes e das refeições (o que significa jejum para o povo), mas que ao mesmo tempo modere também as suas paixões, deixe-se levar menos que de costume pela ira, assim como pela soberba, para que o espírito, já aliviado do peso do corpo, se eleve para usufruir com alegria dos bens celestes.


O mesmo pode-se dizer da eucaristia; mesmo que não se deva desprezar a exterioridade do rito, este é de pouca utilidade, aliás, é perigoso, se não for acrescido do elemento espiritual, vale dizer, daquilo que está sendo representado por meio daqueles sinais visíveis. O que está sendo representado é a morte de Jesus, que deve ser imitada pelos homens, eliminando e quase sepultando as paixões do corpo, e assim ressurgir para uma nova vida e, em comunhão com todos, fazer-se um só com Ele. Esta é a ação, este é o pensamento de quem é piedoso.


O povo, ao contrário, ilude-se que o sacrifício consiste apenas em se aproximar dos altares e escutar o rumor das vozes, desviando os olhos para outras cerimônias a ele atinentes. O homem religioso, no entanto, durante toda a vida, e não somente nessas circunstâncias por mim apresentadas como exemplo, foge de tudo o que se relaciona com o corpo, para deixar-se arrebatar pelo eterno, o invisível, o espiritual. E assim, dado que entre essas duas espécies de homens é grande o desacordo sob todos os aspectos, resulta que uns pareçam loucos aos outros. Mas essa palavra se aplica melhor aos homens religiosos que à gente comum, segundo o meu modo de ver.


http://edsongil.wordpress.com/2007/08/28/erasmo-1/


Surf Ferroviário

Em cima de um vagão, ele começa a rezar.
Com os olhos no vazio, e a adrenalina a milhão.
Em cima de um vagão, nem pense em fraquejar.
Com a vida por um fio, e nenhum medo no coração.

Andando a mais de cem, rumando para o além.
O desafio é diário no Surf Ferroviário!

Em cima de uma vagão, tudo vai passando.
Sentindo a eletricidade correndo em suas veias.
Em cima de um vagão, seu corpo virou carvão.
Em cima de um vagão, não há espaço para vacilão.

Por: Rubão Almeida
e Emerson Zóio

sexta-feira, 24 de julho de 2009

Filme que elogia a Rota vira hit em bancas de camelôs

19/07/2009 - 09h07

LAURA CAPRIGLIONE
da Folha de S.Paulo

"Nós somos a verdadeira tropa de elite", grita um soldado com a boina preta e o braçal da Rota, no filme que, lançado há uma semana, já é responsável pela maior fatia de faturamento das barracas de DVDs piratas do centro de São Paulo (ganha, inclusive do infantil "Era do Gelo 3" - e é época de férias).

"Rota Comando" elogia as Rondas Ostensivas Tobias de Aguiar, que se orgulha de ser "o terror dos bandidos".
Movido a hectolitros de sangue, drogas, sequestro, assassinatos, estupro e pancadaria generalizada, o filme foi dirigido, escrito, produzido e financiado pelo microempresário Elias Junior, 43, que ainda defendeu um pequeno papel na história.

A inspiração veio de "Tropa de Elite", do diretor José Padilha, que foi patrocinado pela Petrobras, BNDES, Claro e CSN, entre outros.

O blockbuster de 2007, orçamento de R$ 10,5 milhões, bombou primeiro nas barracas dos piratas. Quando estreou em 171 salas, ainda conseguiu vender 2,4 milhões de ingressos. Tornou-se a 11ª maior bilheteria desde a retomada do cinema nacional, a partir de 1995. O precedente era bom demais.

Elias Junior, contudo, não contou com um detalhe. "A Rota é vítima de um preconceito enorme", diz. "São denúncias e mais denúncias infundadas de que a Rota mata inocentes. Eu nunca vi nada disso acontecer."
O diretor afirma que, desde 1994, acompanha as ações da tropa, gravando em vídeo as ocorrências. "Pretendia fazer um documentário", explica.

Em 2007, "Tropa de Elite" estava no ápice do sucesso e Elias Junior resolveu enveredar para um longa "baseado em fatos reais", como define.

Ele acabara de receber autorização da Secretaria da Segurança Pública para fazer tomadas dentro do próprio quartel da Rota, no prédio amarelo de 1892 projetado pelo arquiteto Ramos de Azevedo e fincado na avenida Tiradentes. O filme começava a ganhar vida.

Mas, depois de percorrer nada menos do que 86 patrocinadores, incluindo todos os que deram dinheiro para "Tropa de Elite", o resultado foi "zero, nada, nenhum centavo".

"O Pão de Açúcar me disse que não poderia. Que seu slogan é "lugar de gente feliz", e não "de gente morta". Até entendi", afirmou o diretor, que diz ter bancado a produção com R$ 500 mil do próprio bolso.

"Rota Comando" gastou 30 litros de sangue cenográfico durante as gravações --o volume equivale a todo o sangue contido nos corpos de cinco homens adultos. No filme, todas as vezes, os tiros saem primeiro das armas em mãos dos bandidos. Só depois a Rota atira.

Diretor e filme defendem o método do "esculacho" (gíria que quer dizer desmoralizar, humilhar ou expor a vexação e vergonha) contra presos.

Em uma cena, o bandido leva saraivada de tapas na cara. Em outra, o policial ameaça atirar em um suspeito, a fim de obrigá-lo a entregar seus comparsas. "Bandido é malandro mesmo. É legítimo o uso da "força necessária" para fazê-lo colaborar", advoga Elias Junior, cujo sonho de garoto era ser da Rota.

Vale saco plástico para sufocar, como se vê em "Tropa de Elite"? "Vale chute, tapão na cara, humilhação, "a força necessária" para fazê-lo colaborar", respondeu o diretor.

A principal fonte de inspiração do filme sobre a Rota vem do livro "Matar ou Morrer", do ex-oficial Conte Lopes, hoje deputado estadual (PTB-SP), suposto autor do lema "Bandido não cria nome em São Paulo".

"Matar..." foi publicado em 1994 e pretendia ser uma resposta ao livro do jornalista Caco Barcellos, "Rota 66 - A História da Polícia que Mata", de 1992, que retrata a tropa de elite paulista como um sistemático grupo de extermínio.

Atirador filiado à Federação Brasileira de Tiro Prático, Elias Junior é admirador de Conte Lopes. "Até tentei falar com o Caco Barcellos para o filme. Mas era só de curiosidade. Já sabia que a base da minha obra seria o Conte Lopes."

O apoio da Secretaria da Segurança Pública ao filme materializou-se, segundo o diretor, na forma de reforço policial durante as gravações realizadas em áreas de favelas; e na permissão para tomadas feitas dentro do quartel da Rota.

A Folha perguntou à secretaria o que acha da prática do "esculacho" contra prisioneiros. "Não vamos falar sobre o assunto", foi a resposta.


http://www1.folha.uol.com.br/folha/ilustrada/ult90u597129.shtml

quinta-feira, 23 de julho de 2009

Depeche Mode cancela shows no Brasil


A banda, que no momento é um trio, informou nesta quinta-feira 23/07, em seu site oficial que os shows que seriam realizados em 22 e 24 de outubro no Citibank Hall (RJ) e na Arena Anhembi (SP) respectivamente, foram cancelados devido a alterações na agenda européia da turnê.

A banda viria ao Brasil para a divulgação do mais recente disco, o "Sounds of the Universe". No site a banda pede desculpas aos fãs brasileiros, mas não divulga se outras datas serão agendadas. Eles já haviam cancelado outros shows em maio, por conta de uma cirurgia que o vocalista David Gahan, de 47 anos, fez para a retirada de um tumor. Resta esperar pela confirmação de outras datas.

sábado, 18 de julho de 2009

Uma estadia com os Inconfidentes

Julho é o mês das férias escolares e, sendo professor, eu também tenho o privilégio de gozar minhas férias nesse mês. Depois de organizar o roteiro e as malas, fomos eu, a minha namorada e mais um casal de amigos para Ouro Preto/MG. Nas aulas de História do Brasil, lembro que nenhum episódio me deixou mais impressionado do que o da Inconfidência Mineira e de Joaquim José da Silva Xavier, o Tiradentes.

Ao entrar na cidade, logo ao chegar na praça central que leva o nome do Mártir, comecei a lembrar da imagem que eu tinha formado em minha cabeça, do trágico episódio de 1792. Não vou colocar aqui a saga dos nossos heróis nacionais, mas sim, um roteiro que achei muito interessante para quem quiser conhecer um pouco mais da nossa história e aproveitar o passeio, que vale cada centavo gasto para ir até a antiga Vila Rica.

A primeira coisa é conseguir uma pousada ou hotel, e em Ouro Preto o que não falta é hospedagem em casarões originais do século 18 e perfeitamente conservados, a preços acessíveis. Dá pra conseguir uma pousada com chuveiro quente, café da manhã e estacionamento com preços que variam de R$70 até perto dos R$300 ou mais, dependendo do luxo do serviço desejado.

As diversas igrejas setecentistas (cerca de 15), são uma espécie de túnel do tempo, que nos levam de volta ao passado e mostram a beleza da arte barroca e o trabalho de artistas como Aleijadinho e seu pai e mestre, Manuel Francisco Lisboa. As igrejas do Pilar e de São Francisco de Assis, são visita obrigatória para quem vai a Ouro Preto. Na matriz do Pilar se encontra um museu com diversas obras de Aleijadinho, além de um interior fantástico, todo esculpido em estilo barroco com detalhes em ouro, lembrando a opulência do período em que Vila Rica era o centro econômico do Brasil. Por toda a cidade pode-se ver vários chafarizes, públicos e particulares que são uma mostra da dificuldade que os moradores da época tinham em manter um abastecimento de água potável abundante.

Também vale a pena uma visita à Mina do Chico Rei, local que pertenceu, segundo a tradição, a um rei africano que conseguiu muita fortuna em solo brasileiro. Nessa mina é possível entender o que os escravos sofreram para fazer a fortuna de seus senhores e a visita é um misto de tortura e passeio cultural, já que é um pouco complicado caminhar agachado por cerca de meia hora.

Outro lugar sensacional é o Museu da Casa dos Contos, local que já sediou entre outros, a Casa dos Contratos, Casa de Fundição de Ouro, Correios, Caixa Econômica e a Prefeitura de Ouro Preto. No subsolo há uma senzala, em que pode-se ver os diversos objetos usados para torturar os escravos, e o prédio todo é uma obra de arquitetura barroca. No interior do prédio foram encarcerados os inconfidentes, sendo numa das salas que morreu, o também inconfidente, Claudio Manuel da Costa.

Depois de conhecer a Casa dos Contos, é imprescindível visitar o Museu da Inconfidência (esse prédio da foto acima), na praça central. Lá estão expostos diversos objetos usados durante o período, objetos dos inconfidentes, obras de arte, a sentença de morte aplicada ao Tiradentes, e um mausoléo com os inconfidentes que foram encontrados, além de um monumento àqueles que não tiveram seus corpos preservados, como o próprio Joaquim José da Silva Xavier.

Além da cidade de Ouro Preto, é interessante fazer um passeio de trem até a cidade de Mariana, onde também é possível ver outras igrejas e construções barrocas e obras de Aleijadinho. O trem parte de Ouro Preto as quintas-feiras as 10hs e retorna as 14hs, o caminho pelas montanhas é de impressionar, com vistas para cachoeiras, garimpos e muito verde.
Enfim, em Ouro Preto respira-se história e é um passeio que deve ser feito por todos, sendo recomendadíssimo para os amantes da história e estudiosos de todas as áreas. Confira, vale muito a pena!
Confira mais das minhas fotos em: http://www.panoramio.com/user/175496

sábado, 11 de julho de 2009

PUC/SP faz cruzada contra a maconha

Pró-reitor de Cultura da PUC-SP responde a 4 perguntas sobre ação de fiscais no câmpus

Bruna Tiussu - Especial para O Estado de S. Paulo

Deliberador: ‘Hoje são dez abordagens por dia. Já é um avanço.'
SERGIO NEVES/AE

SÃO PAULO - O uso de drogas é um problema recorrente (e até folclórico) no câmpus. Por que só agora reprimi-lo?

Sempre houve uma postura cínica, é mais popular não falar nada com a moçada, há populismo também no universo acadêmico. Faltava um olhar cuidadoso sobre a questão, afinal a PUC não é um lugar de drogas. Ao assumir, o reitor Dirceu de Melo decidiu que deveríamos combater o problema de forma franca. O porcentual de usuários frequentes é de cerca de 10% dos universitários. Pouco, mas o suficiente para incomodar.

E já deu resultado?
Os estudantes se negam a dar o nome aos fiscais, o que já esperávamos. Porém, a fiscalização causou natural inibição do uso de maconha e constatamos uma queda de abordagens: hoje são 10 usuários por dia, já é um avanço. E, quando tivermos a identificação, vamos conduzir os alunos, obrigatoriamente, a acompanhamento socioeducativo.

Qual o maior obstáculo para o sucesso da iniciativa?
O questionamento com os alunos é o maior desafio. Há um grupo de estudantes pouco aberto ao diálogo, mas não abdicamos. Não estamos fazendo política linha-dura, como dizem por aí, nem é uma medida moralista. O objetivo é questionar os mal-estares do mundo atual, e o uso de drogas é um deles.

Haverá outras medidas?
Acho que não precisaremos impor meios de identificação pessoal ou catracas. Os 120 fiscais transitam por todo o câmpus, menos nos centros acadêmicos, por ordem do reitor, mas isso ainda não virou um empecilho à campanha. Houve boatos de plaquinhas nas portas dos CAs dizendo que ali é ambiente livre para fumar. Caso haja problemas, repensaremos a questão. Damos um grau de liberdade interessante aos alunos e à comunidade, prezamos a boa presença da PUC no município, aberta para o trânsito de não-alunos, e queremos mantê-la assim.


http://www.estadao.com.br/suplementos/not_sup395524,0.shtm


Documentário Periferiapontocom



A internet é um fenômeno mundial e hegemônico que atinge até as baixas classes sociais. Regiões periféricas das metrópoles são invadidas por lan houses, pequenos estabelecimentos comercias onde os usuários pagam para ter acesso a internet e a rede local. As lan houses detém hoje cerca de 49% dos acessos a internet no Brasil , sendo hoje uma oportunidade de inclusão ao menos favorecidos no mundo da tecnologia, o sucesso das lan houses se deve em partes à falta de espaços para o entretenimento. Periferia.com, propõe-se a mostrar esse novo processo que de maneira geral muda o cotidiano dos moradores da periferia, diminuindo as distâncias entre a inclusão digital e a exclusão social.

Documentário:
jddonadeli
São Paulo, SP, Brazil
Uma co-produção DOCTV IV

Direção:
João Daniel Donadeli
Alexandre Rampazzo

Produtora Executiva:
Tatiana Polastri

http://periferiapontocomdocumentario.blogspot.com/


Percussão Corporal

É realmente incrível o que se pode fazer com o corpo!!

sexta-feira, 10 de julho de 2009

DIGITAL MEN, o retorno

Após um longo e tenebroso inverno, que durou cerca de quatro anos, o Digital Men está de volta às atividades. E, como prometido na página oficial, estamos preparando com o maior afinco as músicas para o novo trabalho. Já fizemos alguns ensaios e a coisa toda começa a ganhar forma. Fazia um bom tempo que não tocávamos as músicas do nosso primeiro CD, e quando entramos em estúdio e começamos a soltar os primeiros acordes, a surpresa foi geral, ao vermos as músicas fluirem com naturalidade como se o tempo não tivesse passado.

Provavelmente vamos iniciar as sessões de gravação em setembro (se tudo correr como o planejado), e assim que o disco estiver pronto, faremos uma festa de lançamento e uma série de shows que estamos na febre para começar!

Para os mais curiosos, as músicas estão ficando mais elaboradas, com arranjos mais precisos e uma temática cada vez mais ácida. Seria praticamente impossível não fazer músicas de protesto e revolta, em meio as milhares de notícias de corrupção, violência e outros abusos cometidos em nosso país e no resto do mundo, todos os dias.

Dessa forma, esperamos fazer com que as pessoas se questionem sobre o papel de cada cidadão, sobre os muitos 'porques' da sociedade atual, e no mínimo, colocar em discussão essas coisas que vemos em todos os meios de comunicação.
É isso aí... é aguardar para ver e ouvir!

PASTOR DAS ALMAS

Demétrio Magnoli

Logo mais, em São Paulo, será proibido fumar em qualquer local fechado de uso coletivo, público ou privado. A lei paulista, patrocinada por José Serra, bane fumódromos em restaurantes, bares, edifícios públicos e empresas privadas. Ela também confere compulsoriamente aos proprietários de estabelecimentos comerciais um poder de polícia, obrigando-os a fiscalizar a proibição. Entre os deveres dos empresários se inclui a oferta aos clientes de formulários de denúncia de episódios de violação da lei.

Nas democracias, o poder público administra as coisas. Mas a lei de Serra ambiciona administrar as almas, impondo a virtude e punindo o vício. Na sua intrusividade extremada, representa a culminância provisória de uma tendência perigosa. Há dois anos o governo federal tentou moldar os conteúdos da programação de TV por meio da chamada classificação indicativa, que daria ao Ministério da Justiça um poder de censura. Em maio, também em São Paulo, entrou em vigor uma lei proibindo o consumo de bebidas alcoólicas nas faculdades técnicas e escolas públicas e privadas do Estado, até mesmo por maiores de idade e em eventos alheios ao ano letivo, o que baniu o quentão e o vinho quente das festas juninas.

Serra ocupa um posto de vanguarda, mas não está só. Claudia Costin, a secretária municipal de Educação do Rio de Janeiro, determinou em junho o recolhimento de um livro didático de História que contém uma gravura quinhentista de Theodor de Bry. Costin julgou "inadequada" para alunos do quarto ano a figuração do empalamento ritual executado por índios tupis contra inimigos. O seu diagnóstico pessoal cancelou tanto a avaliação formal do MEC, que havia aprovado o livro, quanto a escolha dos professores que o selecionaram. A gravura condenada está exposta em museus visitados por crianças em atividades extracurriculares promovidas pelas escolas.

Leis e atos do poder público têm a função de proteger direitos. Mas Serra e Costin parecem enxergar o Estado como um pastor de almas: o pedagogo dos espíritos devotado a esculpir comportamentos culturais. Sob essa perspectiva, os cidadãos ocupam o lugar de pupilos ainda irresponsáveis, expostos à sedução do vício e carentes de uma autoridade virtuosa capaz de protegê-los de si mesmos.

Não há direito legítimo protegido pelas leis de Serra ou pelo ato de Costin. Numa sociedade que preza a liberdade, o direito dos não-fumantes ficaria preservado pela simples informação de que determinado bar ou restaurante se destina a fumantes. Uma solução mais restritiva é exigir a implantação de fumódromos confinados nos estabelecimentos que desejarem atrair o público fumante. Mas a proibição absoluta de Serra tem uma finalidade distinta: usar o poder de repressão para dissuadir os fumantes de fumar.

Já existem leis que proíbem a venda de bebidas alcoólicas para menores. O veto absoluto imposto por Serra atinge especificamente os direitos dos adultos nas festas juninas. Como Serra, Costin invoca o pretexto de proteger as crianças para ocultar a sua vontade de educar os educadores. O governador e a secretária imaginam-se missionários da virtude. Deviam abrir igrejas e disputar a conquista de almas num mercado competitivo, mas preferem fazer sua pregação com a persuasiva ajuda da polícia.

Há um impulso higienizador atrás dos atos normativos das duas autoridades. Segundo Serra, adultos que fumam e bebem socialmente não podem reivindicar seus próprios direitos, pois são mensageiros do mal. Se o governador pretende despoluir os corpos, a secretária almeja limpar as mentes, despojando-as de imagens impuras. A natureza territorial das normas que patrocinam tem um significado: eles traçam um círculo de giz em torno de espaços geográficos libertados do vício.

A busca do "homem novo", o indivíduo virtuoso que encarna as qualidades de uma nação renascida, é um traço crucial dos totalitarismos do século 20. O "homem novo" de Benito Mussolini, um guerreiro infatigável sempre em uniforme militar, tinha como inimigo primordial não o judeu ou o estrangeiro, mas o espectro envolvente da degeneração física e mental. Mens sana in corpore sano - o princípio fundador da educação física e também do eugenismo foi invocado pelos mais diversos regimes totalitários em campanhas de reforma dos hábitos e comportamentos individuais. Serra não impôs exercícios físicos compulsórios antes do trabalho e Costin não mandou imprimir um livro oficial com imagens "adequadas". Os atropelos às liberdades que promovem são insignificantes diante dos crimes monstruosos já cometidos em nome da virtude. Mas estão impregnados pelo mesmo conceito fulcral, que subordina a liberdade das pessoas a um projeto de eugenia coletiva.

O debate sobre a lei antitabagista é esclarecedor. Inicialmente, os defensores da interdição absoluta alegaram a proteção dos direitos dos não-fumantes, mas para sustentar a proibição de fumódromos confinados convocaram os argumentos que desvendam seu verdadeiro programa. O cigarro deve ser proibido por oferecer um mau exemplo. Os fumantes devem ser socialmente estigmatizados. O tabagismo deve ser coibido legalmente, pois as doenças que provoca geram custos para o sistema público de saúde. Friedrich Schallmayer, o fundador do movimento de higiene racial alemão, explicou em 1903 que "os insanos constituem uma enorme carga para o Estado". Ele queria dizer que a "eficiência" da nação era reduzida pela existência daqueles doentes. O arcabouço ideológica da lei de Serra pode ser expresso como uma paráfrase do dístico de Schallmayer.

Serra e Costin talvez não ambicionem de fato criar o "homem novo" exemplar. Imagino que sejam movidos apenas por um cálculo político oportunista, amparado em sondagens de opinião pública. Mas isso não altera a mensagem contida nos seus atos. Distraídos, estão formulando uma tese sobre o Estado e o indivíduo.

Demétrio Magnoli é sociólogo e doutor em Geografia Humana pela USP.

http://www.estadao.com.br/estadaodehoje/20090709/not_imp400037,0.php

quinta-feira, 9 de julho de 2009

Ética ou Étitica?

O Conselho de Ética da Câmara rejeitou nesta quarta-feira 08/07/09, por sete votos a três e três abstenções, o relatório do deputado Hugo Leal (PSC-RJ), que pedia a suspensão por quatro meses das prerrogativas parlamentares do deputado Edmar Moreira (sem partido-MG), acusado de uso indevido da verba indenizatória.

Com isso, ele ficaria proibido de ser presidente ou vice de comissões permanentes, não poderia relatar proposições em análise na Casa nem publicar discursos no Diário da Câmara.

Com a rejeição do relatório, o presidente do conselho, deputado José Carlos Araújo (PR-BA), indicou o deputado Professor Ruy Pauletti (PSDB-RS) para apresentar um novo parecer pelo arquivamento do caso, que será votado pelo colegiado na semana que vem.

Se aprovado, este parecer será votado pelo plenário, que exige maioria absoluta e voto secreto para a sua aprovação. No entanto, na hipótese de o parecer ser rejeitado no conselho, o plenário votará a representação original da Corregedoria da Câmara, que pediu a condenação de Moreira.

Leal assumiu a relatoria do processo depois que o parecer do deputado Nazareno Fonteles (PT-PI), que pedia a cassação de Moreira por uso indevido da verba indenizatória, foi rejeitado pelo Conselho de Ética na semana passada.

Moreira é acusado de justificar gastos com a verba indenizatória --benefício mensal de R$ 15 mil para deputados cobrirem gastos nos Estados-- com notas fiscais de suas próprias empresas de segurança. Na época não existia uma regra clara sobre essa prática. A suspeita é de que os serviços não eram prestados.

Outra questão que complica o caso de Moreira, que é dono de um castelo avaliado em R$ 25 milhões, é o fato de que o valor gasto pelo deputado com os serviços de segurança é o dobro previsto na Lei de Licitações.

No depoimento ao conselho, Moreira, que chegou a ensaiar um choro, afirmou que foi perseguido politicamente e atacou o DEM --seu antigo partido. E ironizou as suspeitas sobre a construção do castelo.

"Qual foi o crime que cometi sendo que não era homem público? Quando terminei a obra do castelo não tinha mandato eletivo. Qual foi o erro que cometi ao querer levar para minha cidade de origem um empreendimento hoteleiro que vai gerar emprego e renda. Quis o destino que fosse em formato de castelo, mas poderia ter um formato de iglu, formato piramidal, mas foi um castelo como decidiram os arquitetos", disse ele na semana passada.

TELEGOLPE

O nome do vídeo no YouTube é sugestivo: “Em Honduras, nada acontece. Tudo tranquilo”, enquanto imagens mostram pessoas ensanguentadas, tanques nas ruas e milhares caminhando para o Aeroporto de Tegucigalpa.

A notícia é do jornal O Globo, 08-07-2009.

Como os jovens iranianos nas manifestações do mês passado, os hondurenhos descobriram que poderiam vencer o bloqueio aos meios de comunicação munidos de telefones celulares, câmeras e computadores. A difusão de informação na internet já ganhou um nome: Telegolpe.

Já são mais de 700 vídeos de manifestações no YouTube. Há ainda reportagens de TVs estrangeiras, entrevistas, somando mais de 2 mil vídeos que os poucos hondurenhos com computador (11% da população) compartilham com amigos e vizinhos.

Após o golpe, jornais, rádios e TVs que apoiavam o presidente deposto tiveram seu trabalho restrito, resultando numa cobertura parcial. Ainda hoje a CNN e a Telesur saem do ar em momentos críticos. Universitários começaram, então, a difundir as imagens na internet.


http://www.unisinos.br/_ihu/index.php?option=com_noticias&Itemid=18&task=detalhe&id=23765


quarta-feira, 8 de julho de 2009

Apenas o início!

Após vários meses de embaço, estou dando o pontapé inicial na ideia (assim mesmo, sem acento conforme as novas regras de ortografia), de fazer um blog para expressar meus pensamentos, opiniões, dicas e outras palavras, pois, são elas que DA BOCA SAI, ou saem, como queiram.
Espero que o que eu escrever aqui possa encontrar ressonância em algum lugar do mundo.
Sejam todos bem vindos a minha própria "ágora digital"!!